A Estrela de Natal

(Originalmente enviado para meus amigos em Dezembro de 2008)

A ceia de Natal na casa do Marquinhos tinha sido sensacional: toda a família reunida, juntos como em um anúncio de revista. Com 10 anos de idade era um menino já sabido, mas ainda acreditava em Papai Noel. Muito.

Seu avô tomou 2 uísques com guraná e dormia no sofá, esperando a meia-noite e a troca de presentes. Sua mãe e sua avó lavavam os pratos na cozinha, enquanto seu pai começava a preparar o velho truque de sair com os presentes pela porta dos fundos, dar a volta por trás do quintal, deixar os presentes na porta, tocar a campainha, voltar por onde saiu e deixar as crianças perceberem que Papai Noel tinha deixado tudo aquilo lá para eles.

Durante aquele ano, Marquinhos tinha plantado e deixado crescer uma interrogação na cabeça: porque não tinha muitos amigos? Via outros colegas, seus primos, todos eles com festas de aniversário enormes, para um monte de amigos, e Marquinhos fazia as suas em casa, para uns 20 convidados.

Olhava para o céu, bastante claro, com todas as estrelas deitadas em um pano escuro sem nuvens para atrapalhar. Pensou nos brinquedos que ia ganhar, mas percebeu que um monte de amigos seria muito mais bacana que brinquedos.

Foi então que olhou para o céu e pediu, torcendo para que Papai Noel ainda não tivesse saído do Pólo Norte e recebesse o pedido:

“Eu quero ter um amigo para cada estrela no céu”

O pai do Marquinhos passava por perto, antes de pegar os presentes no quarto, e ao ouvir o filho fazer o pedido, o acompanhou na janela:

“Marquinhos, deixa eu conversar com você. Você lembra da história do nascimento do menino Jesus?”

“Sim, papai. Na majedoura, com os três Reis Magos…”

“Pois então, é deles que eu queria te falar. Quantas estrelas você vê lá no céu?” – disse ele, apontando janela afora.

“Nossa papai, um monte.”

“E é isso de amigos que você quer ter?”

“Sim, papai. Um para cada estrela lá em cima.”

“Sabe Marquinhos, naquela noite que o menino Jesus nasceu, tinha muita estrela no céu. Talvez tantas quanto hoje. Mas sabe o que fez a diferença naquela noite para os Reis Magos?”

“Sim, a estrela-guia”, respondeu Marquinhos, com uma cara meio de satisfação por ter acertado e meio de quem não entendia onde o pai queria chegar.

“Isso, meu filho. De todas as estrelas no céu, a mais importante foi a que esteve do lado deles quando eles estavam perdidos. As outras estrelas só estavam lá, enfeitando o céu.” – tirou os olhos do céu e olhou para o filho, falando com aquela voz serena que o botava para dormir toda noite:

“Assim é a nossa vida, Marquinhos. Não precisamos de muitas pessoas, precisamos das pessoas certas. Um monte de amigos é bom para enfeitar a nossa vida, mas são aqueles poucos e grandes amigos que fazem a diferença em nossa vida que queremos dao nosso lado. E enquanto você ajudar seus amigos a irem pelo caminho certo, você vai sempre ser uma erstrela brilhante na vida delas”.

Marquinhos voltou-se para a janela. De todas as estrelas, viu apenas uma que brilhava forte no meio de todas. Aquela era especial, grande, e fazia as outras parecerem sem importância.

Passou um bom tempo com o olhar fixado nela, e chegou até a conversar com a estrela.

Minutos antes da meia-noite olhou para ela e mudou o seu pedido de Natal:

“Que todos meus amigos sejam brilhantes como você”.



Imagem: “O Pintor e o Menino”, de Maurício Porto.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s