Sobre ossos e trocados

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Todo dia que chego em casa, dou um osso para meu cachorro. Quando chego no portão, o bicho fica doido; não por saudade de mim, mas porque sabe que é hora do agrado. Porém, nos últimos dias percebi que o osso que eu dava para ele não era roído ali, no próprio local. Ele largava em um canto da sala, da cozinha ou dos corredores do andar dos quartos.

Há uns 2 dias atrás, lá pela 23:00, ouvi um barulho familiar: era meu cachorro roendo os ossos que tinha largado. Achei engraçado ele fazer isso, mas fui atrás para descobrir o que tinha acontecido.

Acontece que minha mãe, sempre antes de dormir, dava um osso para ele; ela parou de fazer isso porque (segundo ela) ele dormia mal à noite quando comia osso.

Vendo esse comportamento até mais adiantado que o de um animal supostamente condicionado por estímulos, pensei em como a gente age com nossas economias. Sim, sei que é uma longa ponte entre meu cachorro e meu bolso, mas o conceito é interessante.

Um grande amigo da nossa família me ofereceu uma das frases mais úteis da minha vida:

“Você não pode gastar tanto que você não tenha quando precise, nem economizar tanto que você não viva direito”.

E quantas vezes a gente não se vê em uma dessas duas situações?

Nossa relação com dinheiro é muito confusa; cada um tem um sistema, um credo que segue:

  • Determina orçamento para o mês, até para as regalias e festejos semanais, e vira um escravo da planilha.
  • Utiliza o cartão de crédito para preencher o vácuuo e corre com o 13º para igualar as contas no final do ano, para reiniciar o ciclo em janeiro.
  • Investe em diversas técnicas para esconder o dinheiro: envelopes, colchão, conta bancária em agência distante sem cartão, paga uma previdência…

A maior dificuldade que alguém tem para lidar com dinheiro é a visão de futuro: quase todo mundo que a gente conhece se apavora em pensar daqui a 5 anos, por exemplo. Se pensar, para de gastar e entra naquele comportamento que citei: “economiza tanto que não vive direito”, e só começa a separar os ossos para comer à noite na hora do aperto.

E como superar essa escravidão do dinheiro? Simples: vivendo sempre nas segundas opiniões. Você está passeando no shopping, viu algo que você descobriu que quer. Se for como muitos você compra. Eu achei a solução para isso controlando este primeiro impulso e levando a idéia comigo para a cama, o chuveiro…

Pensar no que você vai comprar e qual o impacto disso nas suas contas não te impede de comprar, salvo se a compra for um problema no seu orçamento. Isso sem contar que o que você viu no shopping pode estar barato em outra loja, outro shopping, outro lugar, e pensar fazer diferenças brutais no bolso.

Você deixa de viver? Não, você apenas se torna mais cuidadoso, sem se privar do que você quer.

Essa é a regra 1: quando se trata de dinheiro, não ceda ao primeiro impulso.

Outras regras muito úteis que descobri ao longo dos anos incluem:

2. Pague todas suas contas quando receber o salário. Nem sempre é possível, mas sempre que der se livre de todas as contas logo de cara, mesmo que elas vençam no final do mês.

3. Na dificuldade, não tenha medo de ser inadimplente, mas escolha suas batalhas. Se não vai conseguir pagar todas as contas, privilegie aquelas com juros exorbitantes (como cartões de crédito). Algumas empresas combram multas irrisórias para até um mês de atraso. É ´preciso estratégia até para dever.

4. A planilha é sim sua amiga. Eu disse para você não se tornar escravo dela, mas não disse para não usar. Planilhe seus gastos do mês e futuros, o que vai te dar um norte do quanto você pode dedicar à despesas pessoais, compras e investimentos.

5. Dinheiro na mão é vendaval: o chavão mais verdadeiro do seu bolso. Se sobrar, não guarde: esconda. Tenha uma conta de difícil acesso, coloque em um investimento que te penaliza por tirar antes de x meses, faça o que for preciso. Se você um dia se surpreender de lembrar que tem esse dinheiro, é sinal que funcionou.

Enfim, cada um tem sua estratégia: algumas mais conservadoras, outras mais agressivas e liberais, mas o importante é você ser feliz com seu dinheiro

Qual a sua fórmula para não faltar osso?

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