Rush – Beyond The Lighted Stage

O Rush é, de longe, a maior banda nerd da história do rock. Ela tem tudo que a caracteriza como tal: letras complicadas, sons extremamente elaborados, desprezo do mainstream, foco obsessivo e imune a sexo/drogas.

E esse é justamente o ponto de partida do documentário Beyond The Lighted Stage, que conta a história da banda. Hoje em dia o nerd virou geek e o que era transtorno de personalidade virou status. Nada mais justo que o Rush volte botando respeito, em um documentário que – se não ousado – entrega ritmo e fluência que valem as quase 2 horas de filme.

O Cinemark Santa Cruz encheu (diria que 80% da capacidade) de fãs e admiradores da banda. Eu estou na segunda coluna: gosto da banda, mas não gosto de tudo, nem com a intensidade de alguns lá.

Aliás, ver um documentário como esse com esse distanciamento meu no cinema é interessante, pois você pega os detalhes das pessoas em volta: alguns lacrimejaram com o sabático do Neil Peart após a morte da esposa e da filha, riram muito com alguns dos depoimentos e não tiveram pudor algum de arriscar o air drum e até cantar algumas das músicas que pontuaram o filme.

A divisão do documentário em 13 capítulos é um pouco burocrática, mas dá ordem em uma história com muitos detalhes e nuances diferentes ao longo de mais de 30 anos. Só sinto que alguns dos capítulos não mereciam tanto o spotlight quanto outros: achei exagerado um capítulo dedicado ao “Yoda da bateria” (nerd alert).

Mas foi aí que meu distanciamento gritou: o documentário é para fãs. Não é algo como um Let It Be, que mostrava a luta dos Beatles para administrar as crises internas e fazer sair um disco. A história do Rush não é de interesse humano, e apesar de divertir e emocionar em vários momentos, só vai fazer a mensagem passar de verdade para os fãs.

Para quem não é hardcore fan mas admira a banda (como eu), o documentário serve para dar uma segunda chance para as partes que não gosta e talvez virar fã de verdade. E aí acho que o filme tem uma real oportunidade: com a volta do rock progressivo aos players de muitos jovens hoje, é fundamental ter um registro como esse. É fato que essa geração nova que admira prog só possui as referências do momento: Muse, Porcupine Tree, Dream Theater e outras,  sem saber que o estilo tem toda uma base forte.

Gostei muito da abundância de material raro; conversando depois com colegas mais versados em Rush, muito do que se viu no documentário não apareceu de forma oficial, apenas em bootlegs com imagem ruim. O tratamento das fotos históricas da banda também foi caprichado, dando dinâmica para registros raros existentes apenas em áudio.

E a banda nào economiza em fotos e registros desse tipo: como grande fã do Kiss, me causou enorme espanto os 3 minutos dedicados às primeiras grandes tours do Rush abrindo para o Kiss, incluindo aí fotos raríssimas até para uma banda hiper-mega-documentada como Kiss: fotos com os integrantes sem maquiagem, itens raríssimos de deixar o Kissuqueiro (haha, expressões antigas rock) mais detalhista suando.

A banda ajuda muito no bom ritmo do filme com seu bom mocismo histórico: por ser uma banda praticamente imune a brigas internas, rachas, auto destruição e outros clássicos do rock, a história fica suave, sem aquele clima Revista Contigo e com cara de Sessão da Tarde. Poderia ser um sonífero com tanta simpatia e virtualmente zero conflitos, mas a capacidade dos membros de fazer piada com a própria história e imagem não deixa a peteca cair.

Os depoimentos combinam bem: há uma seleção um pouco exagerada de fanboys famosos, gerando uma ausência de análise mais crítica: o único que colocou um senào foi Mike Portnoy (baterista do Dream Theater), ao dizer que abandonou a banda durante a fase “tecladeira”, mas esse comentário foi rapidamente dispensado. Os convidados “família Rush” (tanto genealogicamente quanto musicalmente) contribuem com insights interessantes da história da banda, expondo dificuldades que os próprios integrantes da banda não lembram ou não expõem.

No saldo, em comparação aos outros filmes da dupla Sam Dunn e Scot McFadyen, ele é menos ousado que a bilogia Metal, mas muito mais atraente e menos burocrático / chapa branca que o Flight 666 (dedicado ao Iron Maiden). É um belo documento da banda, que deixa no ar um clima de Vingança dos Nerds (outro título de capítulo, rs).

Trailer:

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One thought on “Rush – Beyond The Lighted Stage

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