O legendário mundo pretensioso de Marcos Mion

Antes de começar esse texto, quero dar três pitacos de informação:

  1. A hashtag #legendariosFAIL foi trending topics tupiniquim no Twitter por toda a hora e meia de programa.
  2. Quase chamei esse texto de “Como o Pânico destrói em 2 horas um hype de 2 meses”. Mas vou guardar o Panico para o próximo post.
  3. O Barão de Itararé já dizia que de onde menos se espera é que não vem nada mesmo.

Isso posto, vou falar do Legendários, o programa que aparentemente revolucionou o humor brasileiro dos sábados à noite.

Você sabe, aquele período da semana tomado por atrações avant garde 2.0 como A Praça é Nossa e Zorra Total.

Marcos Mion tinha tudo. Um programa bacana, regurgitando o que havia de pior nos clipes que a MTV passava.

O Piores Clipes do Mundo era um belíssimo programa, metalinguagem hilária, micos, e aquele clima que o YouTube viria a captar só anos depois. Criou memes na época em que meme era coisa de estudante de biologia que lia Dawkins: quem não lembra da música “Pamonha”, do Rodney Dy?

Mion fazia humor e era bem sucedido, o que é um fenômeno, considerando que suas chances de fazer humor e ser engraçado na MTV só existem se seu nome é Marcelo Adnet, Hermes ou Renato. Mas como sempre acontece com amadores elevados a status de ídolo, o Mion começou a perder a mão.

Não à toa, quando Mion saiu da MTV, quis revolucionar o humor a la MTV: arranjou humoristas como quem compra bananas na feira (em cachos e na esperança que elas sejam boas quando ficarem maduras), incluindo alguns colegas de MTV, como Hermes & Renato (grupo que mostrou não ter idéia da própria importância e potencial ao aceitar o empreguinho na Record)  e João Gordo (ou era isso ou era uma careira de Angélica, entrevistando estrelas nas suas casas). E um monte de gente que não diz a que vem.

Meretíssimo, prova A no caso "A união NÃO faz a força".

Meus momentos favoritos do Legendários foram aqueles que ri mais pela vergonha alheia:

1. Os bordões

Lá pelas tantas, o Mion abre o espaço para os “humoristas” da bancada mandarem seu bordão. Eram tão ruins, mas tão ruins, que não passariam nem em um teste para A Praça é Nossa. E o melhor era que eles ficavam constrangidos, como se sentissem o golpe dos próprios bordões.

2. O “ser legendário”

O “esportista radical” do programa (e ele usa cabelo laranja para deixar bem claro para todos nós que é INDEED radical – UHU!!!) pulou da ponte Rio Niterói com o paraquedas (ok, não sei o nome desta porra – desculpem) e saiu triunfante em sua lancha, ao som de um discurso gravado pelo Mion, sobre o que é “ser Legendário”. Sério, não é um programa, é um CONCEITO – manjam?

O “ser legendário” voltou várias vezes em vários contextos tentando martelar uma idéia. E coisas assim são como comida boa: se ela é boa, não precisa dizer isso enquanto serve, certo?

3. O ecoterrorismo

Legendários flui como o trabalho de Rádio e TV de uma turma de calouros de Comunicação Social: todos doidos para atingirem o nirvana que reside entre ser “moderno” e “consciente” e ao mesmo tempo tentar parecer natural. Legendários garantiu a DP com o quadro final do programa, um constragendor ensaio sobre a preocupação com o planeta. Sério, me deu vontade de aumentar minha emissão de carbono.

O tal de Felipe (não guardei nomes, não sou jornalista) primeiro se vestiu de árvore, pedindo abraços na rua. Não pareceu tão ruim quando ele quis culpar o churrasco pelo desmatamento (sério, ele fez isso), e ficou pequeno perto da conclusão do quadro, um verdadeiro tour de force para quem conseguiu chegar lá.

Pense em quantos clichês de texto e vídeo você consegue juntar em 5 minutos de mensagem ecologica. Desses clichês, separe os mais cretinos. Desses mais cretinos, separe aqueles que você nunca usaria em um contexto sério. Foi desss fonte que o Mion bebeu.

Com direito a todo tipo de mensagem batida (o planeta é um só), a trupe se propôs a plantar árvores para compensar a emissão de carbono de um ano de programa (o que mostra que o Mion é um otimista ou um iludido – eu plantaria 3 meses de árvore se muito), com imagens lindas dos camaradas se abraçando, do esportista radical (cabelo laranja – YEAH!) chegando de paraquedas, e – claro – o discurso miônico, de como ser legendário é isso e aquilo.

O resto do programa nem cabe comentar, porque varia entre o constrangedor e o ridículo.

E ah, o programa quis tirar proveito da “mudernidade” (que tanto agrada os calouros de comuinicação social, veja você), com mensagens do Twitter pipocando na parte de baixo da tela a todo momento, João Gordo comentando o programa no site e afins.

Aí, cabe dizer que se você quer ser O modernão, tem que dar a cara a tapa, não filtrando comentários no Twitter e passando apenas o que te elogia. De novo, #legendariosFAIL foi TT durante todo o programa.

E não Mion, não é cool falar do Twitter do teu programa como uma maneira de auto elogiar tua “inovação na TV brasileira”. Chegaram a pagar o mico ao proclamarem o Legendários como “o programa mais digital da TV”. Com todo respeito, mensagem ao vivo da internet o Domingo Legal já usava desde 2001.

E ainda por cima Gugu tinha uma trupe de bundões legendários que não enchiam o saco com piada sem graça...

Sem querer me alongar muito – até porque vou preparar um post só para dizer o porquê do Panico estar quilômetros à frente do humor no Brasil, o Panico entregou ontem um programa sólido, em alta rotação desde o começo, e mostrando todo o ritmo e cadência que a MTV com seu cabide de humoristas da gerção #standupbr (e sim, há relação direta entre a falta de graça da MTV e a utilização pesada desse povo). Melhor: mostrando que humor tem que ser primeiro engraçado e não tem lugar para a pretensão.

Querer ser nao é ser, por mais que você discurse sobre “revolucionar”. Porém, tenho que dar crédito ao Mion: ele revolucionou o humor. Conseguiu ser sem graça quando fazia piada, e me fez rir quando quis falar sério. Nunca fiquei tão feliz de ver o Show do Tom na minha TV…

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16 thoughts on “O legendário mundo pretensioso de Marcos Mion

  1. hahahha. Sensacional. Sera q o programa “mais digital da Tv” tem alguem que fica coletando/medindo opinioes ? pq se tiver, que essa pessoa leia esse post …

    qdo o lance era mambembe, cenario de papelao escrito com canetinha e a ideia vinha naturalmente e na maioria das vezes o resultado era sensacional, mas quando entra no esquema corporativo a chance de dengringolar é gigante.

  2. Não é possivel que 1 programa com tanta gente talentosa como o pessoal do Hermes e Renato e o Marcelo Marrom esteja tão ruim…baixa qualidade,não prende ninguém na frente da TV…esperava mais desse programa pois potêncial acho que ele tem…Espero que melhore pois senão as arvores plantadas pra 1 ano de programa vão servir pra um outro programa qualquer da rede do Bispo!

    • Mas sabe qual é Ewerton? O Hermes e Renato precisa de uma liberdade que a Record nunca vai dar para eles. O lugar deles era a MTV ao menos artisticamente; em termos de grana não tenho dúvidas que a situação deles melhorou muito…essa babaquice de “humor do bem” é outro corta barato fortissimo pro H&R.

      Então, não adianta ter boas peças se (a) você está em um ambiente que te castra. Um ambiente onde toda matéria gira em torno do Mion: ele faz locução de matérias, ele aparece nas matérias…deve ser duro trabalhar pra alguém q se ama tanto assim, em uma emissora q vc não pode tirar sarro de qqer coisa.

  3. é uma pena que o Hermes e Renato entraram nessa, agora o que eu acho mais chato nesse programa é os cars forçarem a barra pro povo brasileiro aderir o tal de “onbrinho, onbrinho for ever” que não tem nada a ver, é chato pra dedéu… há sim, e o marcos mion é bom mesmo em tirar barato e sacanear o trabalho dos outros que é o que ele fazia na outra emissora.

  4. Cara, esse post aqui sobre o legendarios, está perfeito!
    será que o legendarios ja esta com a mente tao cauterizada, tao lavada que sao os unicos que nao percebem a lastima que é o programa?

    Sinto muito pelo HERMES E RENATO estarem com mais grana, mas passando vergonha nessa porcaria.

    O resto , quero que virem apresentadores estepes do fala que eu te chupo.

  5. Somente hj, 07/08, consegui assistir 5 min deste lixo de Legendários e perdi meu tempo. Marcos Mion continua fazendo o que mais sabe, irritar a todos com seu estilo “bulling” arrogante, que por não ter qualquer talento para o humor apela para a humilhação gratuita. O cara esculhambou com um vídeo antigo do Caetano Veloso no auge do experimentalismo tropicalista, mostrando o quanto é mal informado. É um colegial que passou dos 30 mas ainda não se deu conta disso.

  6. Marcos Mion como voce pode ser assim com essa carinha tão sensual eu sinto um enorme tesão quando eu vejo vocÊ meu lindão eu tiamooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

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