Vivência e Fluência

Um dos exercícios mais difíceis dentro das minhas séries na academia é o abdominal. Com muito esforço, fazia 8 repetições em duas séries quando deveria fazer 3 séries de 16 repetições.

Fui procurar um dos meus instrutores, e reclamei da dificuldade. Todos os meus outros exercícios fluiam tão bem, aumentava os pesos, as repetições semana a semana, mas esse parecia não evoluir. A resposta dele foi: “continue fazendo; você precisa de vivência e fluência no movimento, até conseguir chegar no ideal”.

Pensando nisso, fui para casa. Comecei a fazer abdominais todo dia, em casa mesmo, em doses moderadas. De repente, as minhas repetições aumentaram, e consegui executar 3 séries na academia. Se não está do nível dos outros exercícios, ao menos está na minha curva aceitável de desempenho.

Em casa, isoladamente, consegui ficar à vontade o suficiente para aprimorar meu desempenho sem impactar nos meus outros exercícios, seja em tempo seja em desgaste físico. E foi aí que resolvi tranformar a idéia para a vida profissional.

Nós nos confinamos a escritórios como se estes fossem os únicos lugares para obter vivência e fluência em nossas atividades. Quanto mais tempo no computador, quanto mais tempo dedicamos ao telefone, quanto mais tempo nos deitamos em relatórios, quanto mais tempo passamos da hora da saída trabalhando…medidas clássicas de vivência e fluência na maioria das empresas. Seu chefe adora te ver enterrado na empresa.

Esquecemos que, em muito do que fazemos, as respostas estão além das baias e paredes corporativas (reais ou hierárquicas). Um profissional que lida com o público nunca vai atingir vivência e fluência na sua atividade preso a uma mesa ou lendo relatórios. Eles são portas de entrada para a prática externa, de ver o público de verdade, nas ruas, balcões, redes sociais e outros pontos de contato entre marca e cliente.

Sem medo de quebrar a cara...

Nessa hora, é preciso ser um pouco Dr. House: exames e testes laboratoriais são ótimos guias, mas a investigação de campo cria o salto necessário para ser excelente no que você faz.

A grande pergunta em qualquer atividade ou tarefa sua é “qual o contexto?”. Porque certos designs de carros, utensílios, objetos funcionam e outros fracasssam? Porque alguns projetam presos a uma pranchete, enquanto outros levantam os olhos e vão ver a ponta da experiência do público. Buscam o contexto, e não a informação fria, impessoal. E com essa observação, acumulam outras (ver os não clientes, ver os concorrentes, ver o ponto de venda), e vão recombinando e misturando, procurando o ponto ideal. Vivência e fluência.

O acesso fácil à informação nos dá a falsa sensação de que não é mais necessário botar o pé na rua ou praticar a observação. É uma falsa sensação de segurança que não te diferencia. O mundo está acontecendo lá fora, e o link que acabou de sair já não o explica mais. Saia.

Anúncios

2 thoughts on “Vivência e Fluência

  1. Rodrigo, estou gostando deste seu blog. Bacana mesmo… Vim parar aqui por conta do post que “meteu o malho” na Manú Magalhães. Minhas mais que merecidas considerações, meu amigo. Sinto falta de mais lugares como este blog na web. Segue endereço do meu, se for de seu interesse visitar.

  2. Como exemplo do que você acabou de dizer temos a Apple e a Sony. A Sony perdeu seu foco, deixou de pensar no e entender o público, e sumiu, enquanto a Apple, mesmo que nem sempre tão útil ou tão inovadora, deu ao público o que eles queriam. Não á toa hoje ela está entre as 5 maiores empresas de capital aberto em valor de mercado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s