Coisas que aprendi – errando – na internet

putz MAIS UMA SEGUNDA-FEIRA

Minha geração não nasceu com a internet, mas passou o final da adolescência nela. Era uma época de terra de ninguém, onde a gente tentava se conduzir pelas regras de comportamento do mundo offline, mas ainda existiam muitas áreas cinzas que só o tempo resolveu.

E durante esse tempo eu errei muito. Não tem porque mentir, eu e um monte de gente tivemos deslizes que se explicam em parte pela idade, em parte por desconhecer direito no que se estava pisando. Para expurgar os pecados e passar um pouco de conhecimento adiante, aqui vão alguns erros que eu cometi e que você não deveria cometer.

Querer ter uma opinião sobre tudo

Esse é um dos piores. Não é porque você consegue acessar blogs sobre como cozinhar um Iaque ao molho pardo que de repente você se torna um especialista na coisa. Já dei muita opinião com base meia sola que você vira um especialista. Mudei há muito tempo a postura de “me escuta” para “me diga”.

Overdose de auto-divulgação

Ah, o canto de sereia da fama instantânea. A internet é uma plataforma sensacional par ser alguém, um atalho realmente instigante. E obviamente, eu achava que todo mundo merecia saber do meu novo post no blog: e-mails voavam, mensagens no Orkut eram metralhadas, mensagens de comnicadores instantâneaos eram incendiadas…

Auto-divulgação em excesso é chato e nada eficiente. A internet é mais fácil que o offline, mas ainda assim depende de muito mais coisas que subir no tijolo e gritar. Até hoje eu ainda procuro o caminho…

Trollzice

A maior bobagem da minha vida virtual, motivo de grande vergonha para mim. Sim, eu já fui um troll. Poderia racionalizar em 500 palavras, dizer que quando comecei com internet ninguém sabia direito como se comportar,

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yadda, yadda, yadda,

mas a real é que eu pisei na bola muito nesse sentido. Arrumei brigas homéricas, ameacei, fui ameaçado, xinguei, berrei, etc. É algo que consegui eliminar com grande sucesso da minha vida, apesar de ainda ficar com cabeça quente aqui ou ali. Mas um pouco de alteração na pressão durante um debate não é tão mal, em comparação com ser um tosco.

O anonimato

Ainda bem que usei isso pouco, rapidamente me senti desagradado com a idéia e nunca mais fiz. Mas esconder seu nome para ninguém te ligar com o que você pensa é uma das coisas mais lamentáveis que existe. É intoxicante se esconder e falar o que quiser, mas a sensação de vazio de você abrir mão de contribuir com algo e se esconder para poder ser tosco é absurda.

Obviamente, existem outros tipos de anonimato que são plenamente aceitáveis, como no caso da navegação. O Sérgio Amadeu (que entregou uma das palestras mais sensacionais da minha vida no curso de Ações Inovadoras da ESPM) tem ótimos textos sobre a importância do anonimato. Leia este e este artigos

Achar que visual é mais importante que conteúdo

Esse é um erro da vida que a gente leva para a rede: achar que enquanto estiver bonito não importa se é útil. Tome designs modernérrimos, cores berrantes, 4.567 widgets (para os quais não se sabe a serventia) e usabilidade + conteúdo absolutamente intragáveis.

As pessoas esquecem que o caminho para a maioria das pessoas chegar no blog / site é o buscador, que devolve resultados de texto, não de arquitetura. Demorei, mas aprendi.

Escrever para agradar os outros

É a mania de se perguntar “o que os outros?”. E geralmente aquele “outros” são pessoas altamente críticas, que são amargas, não gostam de PN que você escreveu, te acham algo que transita entre o pretensioso e o medíocre e que ainda por cima seu blog é feio e tem mau cheiro.

Representação artística de um dos "outros".

Representação artística de um dos "outros".

Eu parei de me preocupar há muito tempo. Existe tanta gente acessando a itnernet, co tantos gostos diferentes, que um grupo vai bater comigo. Enquanto eu escrevia para os outros, eu não me animava. Hoje, eu me animo, e quem quiser me siga. Simples.

Trocar experiências reais por virtuais

Pode tirar o sorrisinho sacana da cara, não estou falando “daquelas” experiências.

Ok, talvez só um pouquinho assim...

Ok, talvez só um pouquinho assim...

Mas a gente tende a se enrolar tão facilmente na praticidade do virtual que acaba abrindo mão de uma mesa de bar, de um passeio no parque (pode levar notebook, vai), e todos esses clichês de vida real que a gente vê por aí. Clichês, mas absolutamente verdadeiros.

A internet é uma facilitadora de conhecimento e um bom apoio para experiências. Conseguimos conectar com coisas e pessoas quase tão bem quanto ao vivo. Quase. O contato, a sinestesia de estar com pessoas ainda é insubstituível. Troquei muito tempo de vida real por internet e me arrependo fortemente. Não recomendo.

Medo de errar

Quando tinha blog no zip.net (décadas atrás), 70% dos meus textos eram drafts não publicados. Parte se explicava pelo medo dos “outros” não gostarem. Parte era por eu não achar que era bom. Achava o estilo ruim, o tema batido, as idéias mal concatenadas…

Sabe qual o custo de postar em um blog? Zero. Sabe o que eu posso perder por postar um texto ruim? Zero. Sabe o que eu ganho se postar um alto volume de textos, independente do que meu estômago reclama? Experiência.

Meu texto hoje é muito melhor que há 5 anos atrás. Aprendi errando, publicando coisas ruins e acertando com o tempo. E ainda por cima descobri que alguns dos que achava que não deveria publicar eram ótimos para muita gente.

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