WikiShampoos para cabelos que não colaboram

shampoo_seda_cocriaes

Cada vez mais, você vê as empresas jogando ao ar palavras que demonstram “colaboração” e “cocriação” (incluindo as próprias palavras), mas o que vemos são apenas palavras novas para velhos (e antiqueados) conceitos. Caso em questão: o Wikishampoo da Seda, chamado de Cocriações.

Assisti ontem um comercial para esta nova linha, que se resume a uma reformulação dos produtos realizada pelas maiores autoridades em cabelo “do mundo”. Tem de tudo: o especialista em brilhos, a dos cacheados, a das cores, o das texturas, o de look (não seriam eles todos especialistas em look?) e até mesmo a dermatologista das estrelas (seja lá que valor tenha isso).

O vídeo (que pode ser visto abaixo) começa meio que criando um suspense do porquê a Seda reuniu alguns dos maiores especialistas em cabelos do mundo. Oras, para uma partida de ping pong é que não foi…

O que me deixa um pouco off nesse mundo de redes sociais, wikipedias e interação crescente e abundante, é o quanto certas coisas se banalizam. As palavras “colaboração”, “cocriação” são soltas sem critério, porque acredita-se que tudo que parte de colaboração é bom. Claro que se tratando de uma Unilever, a colaboração é restrita a seus escritórios.

Você vê hoje muita gente falando de mídias sociais para cima e para baixo, sendo que algumas delas não sabem nem do que se trata a parte do “social”. E aí que mora o perigo: é muito fácil abrir um fórum, deixar o público mandar e-mail, até ter uma conta corporativa no Twitter. Difícil é ter a atitude que cocriação e rede exigem.

Nem todo mundo, nem toda empresa possuem a estrutura ou até meso a cultura para se abrir a um processo de cocriação que gere valor. A Seda se sairia melhor se voltasse um pouco da sua verba de P&D para ouvir um pouco mais o público. O que a cabelereira da Jennifer Lopez sabe mais sobre cabelo do que alguém que tem que lavar e cuidar do próprio cabelo em uma base diária?

Portanto, é bom ter cuidado com o discurso modista de “empresa junto do consumidor”, e tratar tudo com a devida distância, até mesmo para que não se banalize ou até mesmo se crie uma carga negativa sobre expressões que têm tanto potencial. Resumindo, pergunte-se se o tal “especialista em redes sociais” é – antes de tudo – um especialista em relações sociais, e se aquela idéia de cocriação realmente dá voz para quem deve ser ouvido.

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