Up e a “Fórmula Pixar”

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers. Se você não assistiu o filme e não quer saber o que acontece, não clique no “leia mais”. Assista o filme e volte depois.)

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Em 3 dias assisti “Up” 3 vezes: 1 no cinema, 2 de uma cópia, aham, alternativa que peguei via torrent.

É deifnitivamente o melhor filme da Pixar, o que não deixa de ser incrível por superar uma obra-prima como Wall-e. Há muito tempo que eu não me emocionava tanto e tantas vezes com um filme, o que é um testemunho desta máquina de fazer grandes longas metragens que é a Pixar.

Eu diria que os méritos de “Up” se resumem no que considero ser a fórmula Pixar:

Emocione a todo momento possível

Fazer um final que leve o espectador às lágrimas é um feito, mas fazê-lo se emocionar de verdade em vários momentos do filme, sem recorrer a truques baratos como mortes falsas, finais que não são finais e outros itens, é uma arte. Durante o filme eu me peguei chorando (não com olhos marejados, chorando) 3 vezes:

  1. N0 começo do filme, com toda a história do Carl e da Ellie. A vida do casal é mostrada de forma rápida e evitando diversos clichês, usando momentos mais simples que passem detalhes importantíssimos para o resto do filme, como as passagens para a Venezuela (que aparecem lá pelo meio do filme de novo), a passagem em que você vê que o Carl trabalhava com balões no zoológico e o balaão azul, que está lá quando eles se conhecem e quando Ellie morre. O final desta cena toda, sem um diálogo sequer, é o brilhantismo de um filme que já te conquista com 10 minutos.
  2. Quando Carl percebe que há mais no álbum de Ellie depois de “Stuff I’m Going To Do”. Aquilo é tocante demais , é a mensagem do filme condensada em uma única cena. Durante toda a história, Carl é extremamente protetivo com a casa, sempre renegando seus colegas de viagem para salvar um retrato, uma janela, a casa em si. Ao encontrar o material adicional de Ellie no “Adventure Book”, Carl percebe que ele não precisava fazer algo por ela, e sim por ele, visto que ela já teve a maior aventura da vida dela, com ele.
  3. O final do filme, com a consolidação da amizade do Carl com o Russel. A mensagem é maior do que parece: quando Russel fala para Carl de quando seu pai o levava para tomar sorvete e contar carros, ele fala “pode parecer chato, mas eu meio que acho que é das coisas chatas que eu lembro mais”, e ao final do flme você vê Carl fazendo com Russel (e Dug) a mesma coisa, você vê que Carl aprendeu a lição, de que nem tudo que te faz feliz é uma grande aventura. Isso e o toque de mestre da casa pusar no alto da cachoeira foram momentos definitivos do filme.

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A música como ator do filme

Se você prestar bem atenção, 50% da música de “Up” gira em torno de um mesmo tema, o que não é demérito para o compositor Michael Giacchino. Pelo contrário, a música se transforma de acordo com o ritmo da cena e o momento do filme: mais sombria e minimalista nos momentos ftristes, mais agitada e elaborada nas cenas de ação.

É um recurso incrível que liga duas cenas na cabeça do espectador: no final do filme, quando Carl descobre o segredo do Adventure Book, a mesma música, no mesmo ritmo e arranjo do começo d0 filme, quando é contada a história do casal, aparece para ligar os pontos e encerrar todo o conceito.  Perfeito.

Não existem personagens secundários

Ninguém faz escada para ninguém no filme: cada personagem tem o seu momento de ser o principal, de entregar o recado como se o filme fosse dele. Quando começa o filme, você acha que a história será de Carl e Ellie, depois somente de Carl, depois de Carl e Russel…quando o filme termina, você tem muita dificuldade de perceber quem é o centro do filme: é Carl, motor de toda a história? Russel, que impulsiona a história adiante a todo momento? Kevin, responsável pela segunda trama? Dug, o herói de última hora?

Os personagens tem tanta profundidade que até mesmo Ellie, que morre aos 10 minutos de filme, é de vital importância para a história, “aparecendo” diversas vezes nos principais pontos da história.

6a00d83451b75569e201156fad0376970c-800wiO vilão no centro da história

Os melhores vilões da Pixar geralmente não são sociopatas maus por natureza, mas sim pessoas que, por alguma raiz pessoal, se tornaram obsecadas e conseqüentemente vilanescas. Esse tipo de profundidade no antagonista é algo que já foi maravilhosamente explorado no filme “Os Incríveis” e encontra um rival à altura em “Up”.

Charles Muntz entra nos primeiros segundos de filme como um herói, uma inspiração que motiva toda a história. Sua volta para a trama faz parecer que ele se juntará ao time de heróis da história, e o roteiro aos poucos deixa transparecer primeiro sua obsessão, depois a maldade à qual ele se redeu quando sua obsessão atingiu um ponto máximo.

E o bom vilão não é aquele que faz o herói parecer melhor, é aquele que melhora o herói. Gosto de pensar que Carl viu na obsessão de Muntz a sua própria obsessão, o que lhe permitiu no final do filme abandonar sua carga emocional.

A mensagem ampla

“Up” é desenho mas não é só para crianças. “Up” é cheio de mensagens sérias, mas não é só para adultos. O meio e mensagem se unem de forma magistral para transmitir um conteúdo que é perfeitamente entendido por crianças e adurtos: os amigos são muito importantes na sua vida, não compensa viver a vida carregando uma tristeza, nem sempre felicidade é uma grande aventura, as coisas mais banais são as mais inesquecíveis, entre outras de igual valor emocional.

Essa mensagem universal é o que faz o filme ser assistido por uma pessoa de qualquer idade e ser apreciado. Qual foi a última vez que você – adulto – viu um filme onde acontecem coisas como um idoso e uma criança viajando em uma casa sustentada por balões, encontrando com cães falantes e pássaros desconhecidos que gostam de chocolate, e ainda assim conseguiu apreciar e se emocionar com ele?


A fórmula Pixar nem de perto encontra sinais de desgaste, pois além disso há uma preocupação constante em criar eventos e personagens únicos, que transmitem mensagens universais e profundas, com atenção a todos os detalhes do filme. “Up” é o ponto máximo dessa fórmula, mas desconfio que seja somente por enquanto.

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3 thoughts on “Up e a “Fórmula Pixar”

  1. Eiii…mto bom… tudo o que vc escreveu.. o filme..enfim…tudo mto bom!
    Eu precisava de um favor seu… eu queria saber a frase que a Ellie deixa pra ele no finalzinho do livro de aventuras.. vc pode me informar? tomara q vc leia isso… e me responda! huaehauieh

    • Assisti esse filme hoje, nas 2 primeiras cenas citadas também fui às lágrimas, o que me levou ao google para tentar traduzir a frase no final do “livro de aventuras” que na versão que assisti está em francês. Foi assim que acebei chegando a esse site tembém. Pelo que consegui é mais ou menos “Obrigada por esta maravilhosa aventura, agora é hora de você viver uma nova. Te amo – Ellie”

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