Pac-Man Fever: a Gripe Suína dos anos 80

Nos anos 80, todo mundo fugia nas ruas de personagens de videogame. Eu não sabia disso.

Nos anos 80, todo mundo fugia nas ruas de personagens de videogame. Eu não sabia disso.

Os anos 80 foram uma década de experimentação, e uma das grandes inovações tecnológicas, sociais e – por que não – artísticas foi o videogame, que sobrevive até hoje e evolui espantosamente. O grande ícone dessa revolução do jogo eletrônico nos anos 80 foi um ser amarelo que era só cabeça, tomando bolinhas e comendo fantasmas e mais bolinhas em um labirinto.

Pac-Man gerou milhões de dólares em fichas e cartuchos, mas rendeu o que é até o único disco com o tema jogos de videogame do rock. Senhoras e senhores, com vocês Buckner & Garcia.

O jogo Pac-Man é um dos únicos que sobrevive em todas as gerações de videogames há quase 30 anos, quebrando recordes de venda de arcades e cartuchos e até sendo o responsável pelo grande crash do mercado norteamericano de videogames em 1983. O jogo cruzou a barreira dos consoles e confirmou sua posição como uma das grandes referências dos anos 80, tornando-se camisetas, lancheiras, versões live action (incluindo algumas brincadeiras made in Brazil).

E outros itens de gosto duvidoso, por mais bem acompanhados que estivessem.

E outros itens de gosto duvidoso, por mais bem acompanhados que estivessem.

Com esse sucesso, não é de se espantar que a música popular tenha pegado carona. Jerry Buckner e Gary Garcia são uma dupla de roqueiros americanos que provavelmente não teriam nem mesmo esta fama quase anônima se não tivessem a iluminação de compor uma música em homenagem ao jogo.

“Pac-Man Fever” veio em 1981, com uma introdução do jogo disputado em uma delicatessen (no início da música, pode-se ouvir bem no fundo um homem pedindo um sanduíche de pastrami – sério). A música chegou ao 9º posto da Billboard em Março de 1982, com um ritmo de trilha sonora de filme de Sessão da Tarde (com o Rodney Dangerfield, claro) e letras bobinhas como:

Now I’ve got them on the run, and I’m looking for the high score;
So it’s once around the block, And I’ll slide back out the side door.
I’m really cookin’ now, eating everything in sight.
All my money’s gone, so I’ll be back tomorow night.

bucknergarcia“Pac-Man Fever” tornou-se uma campeã de regravações, e seu sucesso levou a dupla a um acordo para gravar um disco inteiro de músicas baseadas em jogos de arcade populares na época. Com canções improváveis como “Do The Donkey Kong” e “Froggy’s Lament”, letras com descrições literais de como os jogos eram jogados e as frustrações de gastar muito dinheiro com fichas, o LP não atingiu o mesmo sucesso do hit.

O disco foi relançado como CD em 1999, mas sem a anuência da Sony (dona dos direitos), o que obrigou a dupla a recriar muitos dos efeitos sonosros dos jogos. Sendo este um dos principais atrativos, o vinil original tornou-se procuradíssimo e o CD foi esquecido.

A dupla sobreviveu compondo jingles para TV, rádio e jukeboxes de casas de waffle americanas. Como se percebe, não é uma banda que gosta de criar músicas do nada. A preguiça é tamanha que os compositores mudaram a letra de “Pac-Man Fever” e criaram “Pokemon Fever”, mostrando que nem sempre eles acertam na aposta de imortalidade do meme.

Pac-Man continua firme e forte até hoje, correndo como um doido, consumindo bolinhas de energia em ambientes mal iluminados e fugindo de fantasmas. Sim, Pac-Man é um clubber.

Para fechar, um vídeo com a letra da canção:

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