O Coringa: o personagem mais fácil do filme?

(Leia antes “The Dark Knight – tentando falar o que não foi falado…“)

Vou tentar nesse texto ser o menos obtuso possível, pois quero realmente fazer uma análise do personagem Coringa, e não menosprezar a atuação do Heath Ledger, atraindo a ira do culto que se formou em torno dele (especialmente após sua morte). Mas é fato: o Coringa é extremamente fácil de se representar. Ele é nós.

O Coringa somos nozes?

O Coringa somos nozes?

O Heath Ledger entregou em The Dark Knight uma das interpretações mais assustadoras do cinema de HQ. Falou-se em Oscar póstumo, gerou-se uma comoção em cima da performance que não lembro de ter visto semelhante em tempos recentes.

Eu virava para as outras cadeiras do cinema e via as pessoas torcendo para o Coringa. E comecei a viajar na idéia: o Batman era muito parecido com nós, com defeitos, fraquezas, falhas. O Coringa não falhava nunca, acertava até quando parecia errar. Era o que as pessoas no cinema queriam ser.

Mais do que isso: o Coringa não tem freios. Não existem dúvidas morais ou éticas, apenas um propósito que não pode ser contestado. É como um furacão, que não escolhe o que vai destruir: destrói o que está no caminho. Quem de nós não queria dar um f***-se para as regras por um dia que fosse e fazer o que desse na telha?

O cinema funciona muito com a idéia de nos fazer sentir parte do mundo que o roteiro cria. Não à toa, os filmes de maior sucesso envolvem roteiros mais distantes da relidade: queremos ser algo que não podemos ser. E o Coringa mexe com a mais primal das vontades: fazer o que der na telha.

Por isso que digo que o Coringa é um personagem fácil de se compor, o que não tira os méritos do Ledger. Pois, mesmo de mentirinha, é impossível se soltar dessa maneira sem estar sozinho no quarto (e em alguns casos, nem assim). Ele conseguiu.

A comparação com o Jack Nicholson é cabível, mas não com os exageros que ando lendo por aí: poucos dão atenção ao fato de que a interpretação de Nicholson no filme de 1989 era a do Coringa clássico, mais para os anos 40 que para os 90. E ainda assim saiu um Coringa extremamente brutal e assustador, dentro destas limitações: quem não tremeu com aquela cena onde ele pede o espelho para o médico que remendou sua face?

Mesmo na interpretação do Ledger dá para sentir lampejos de Jack Nicholson, especialmente na maneira de falar. Mas de qualquer maneira são detalhes que não merecem discussão mais profunda, pois ele entregou uma grande performance.

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