Você ainda lê?

Postei um comentário sobre isso lá minha página do Tumblr, mas queria dissertar mais sobre o assunto (o Tumblr é muito scrapbook para permitir isso). Vamos refletir sobre o ato de ler nos dias de hoje.

Em janeiro, durante o MacWorld 2008, Steve Jobs (CEO / visionário / milagreiro / líder de culto / salvador da Apple) disse, em resposta a um questionamento sobre sua opinião acerca do Kindle da Amazon:

“Não importa o quão bom ou ruim o produto é, o fato é que as pessoas não lêem mais…”

Em seguida, ainda arrematou dizendo que o americano se muito lê um livro por ano. Exageros e vontade de dar declarações bombásticas para gerar repercussão (ou para botar à prova sua reputação de canhão de tendências) à parte, ele cutucou o nervo: o computador torna a pessoa mais preguiçosa para ler? Será que a rapidez da internet mata as longas dissertações da categoria não-ficção e as descrições detalhadas dos livros da categoria ficção?

A minha opinião é que ler não vai acabar, mas sim mudar. Já está mudando. Tem informação demais no mundo para conseguirmos ler tudo sem ter um dia de 48 horas. Não dá para ler muito sobre um único assunto sem perder 300 que não podem ser deixados para o dia seguinte, quando já mudaram para outra coisa.

Por isso que o RSS é saudado como uma das maiores invenções da internet até hoje: é informação de acesso fácil, resumida e que permite um aprofundamento se assim for desejado. Sempre lembrando que o “RS” de “RSS” é “Real Simple”: “realmente simples”.

Com livros a coisa pega. Eu admito estar lendo menos livros, e o que leio é sem a calma de antigamente, onde eu saboreava as páginas com calma e paciência. Contudo, tenho absorvido muito mais informação por meio da internet e fontes de leitura fácil e rápida.

Talvez o livro tenha que mudar para se adaptar aos tempos: o áudio-livro já é uma realidade, mesmo aqui, por oferecer grande facilidade de absorção de informação com menos esforço.

Mas acho que a coisa tem que ir além: livros que ofereçam conteúdo mais resumido, direto. Quantas páginas seriam eliminadas se as informações escritas mais importantes fossem substituídas por gráficos, imagens, desenhos e outros recursos bem colocados, deixando espaço para a argumentação ou estória central?

KindleExiste uma corrida muito grande pelo desenvolvimento de plataformas que permitam a mesma flexibilidade do papel com conteúdo multimídia. O já citado Kindle da Amazon arrebentou de vendas por causa disso: as pessoas querem uma solução simples para continuar lendo. Se for uma que economize tempo de aquisição (você usa o Kindle para comprar conteúdo na Amazon) e que permita uma interação forte entre conteúdos diferentes e que complementem o que você está lendo.

A Wired desse mês fez uma brincadeira interessante sobre as eleições de 2024 nos EUA, e as páginas da reportagem reproduzem uma versão moderna do Kindle, mostrando onde o conteúdo não só de notícias, mas de livros, revistas e jornais deve chegar um dia.

Para mim, tudo se resume a algo bem simples: o dia que inventarem uma maneira simples e prática de ler conteúdo online e multimídia enquanto se está na privada, o conteúdo impresso morre.

Conteúdo relacionado:

Kindle x Sony Reader – o aparelho da Sony, mesmo sem internet, é uma opção interessante também.

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