Señor Tango 2 – A Repercussão

O texto sobre o Señor Tango foi de longe o mais visado desse blog. Maior número de comentários, mais visitas geradas…e tem seus momentos de polêmica, tanto nos comentário quanto nos e-mails que recebi. Resolvi condensar essas polêmicas respondendo ao e-mail de um leitor, o Eloí de Porto Alegre.

Segue o recado que ele me deixou lá no tópico. Minha resposta vai em seguida:

Todos os anos desde 1998, vamos eu e minha esposa a Buenos Aires, principalmennte nos meses de inverno, vamos a todos restaurantes e casas de tangos, por morarmos em Porto Alegre cultuamos muito esta coisa do ser ”porteño”. Pena que voces não curtam, ou não entendam, mas como para nós gaúchos entendo que deva ser tão enfadonho quanto para nós, assistirmos trios elétricos com um volume infernal à romper nossos tímpanos. Nossos ouvidos são sensiveis a acordes mais apurados deve ser como para nós assistir um desfile de escola de samba sentado no cimento por dez horas e ainda ser assaltado, se agachar de balas perdidas, sem falar do cheiro de mijo e do vômito de bêbados pelas passarelas do samba. Quem sabe aprecia,quem não entende, julga e ainda tente aculturar, é muito pobre.

Eloí,

Eu ADORO Buenos Aires, gostaria de poder ir lá o tanto que você vai por ano. Você só confunde um pouco as coisas ao achar que estou depreciando a cultura porteña ou até mesmo o tango como um todo.

Veja bem, eu não sou grande apreciador de tango, mas adoro a cultura que o cerca, o significado da dança e suas raízes históricas. Mas isso de maneira alguma quer dizer que vou gostar de todo show de tango que vejo. O Señor Tango foi muito fraco no sentido de me oferecer a dança em seu aspecto cultural, apelando mais para o aspecto espetáculo da coisa. E isso desgasta, ainda mais depois de 3 horas e performances exageradas e caricatas.

E mesmo que eu abominasse tango, de maneira alguma isso poderia querer dizer que eu gosto de carnaval. Passo longe dele; inclusive, conheci Buenos Aires fugindo das garras de Momo. E só desfilei em uma escola de samba uma única vez, por motivos que só meu amor pela minha rainha explicam. Mas veja você: sem mijo nem vômito no meu caminho, sem desviar de bala perdida, e tampouco sem ser assaltado. Devo ser um dos sortudos…

Mas vamos exercitar: e se eu gostasse de carnaval? Isso me faria um ser abominável? O que isso tem a ver com não gostar de tango? Acho meio complicado você tratar isso como coisa de seres aculturados, até porque cultura é algo muito relativo, e o carnaval tem um background histórico tão forte e relevante quanto o do tango. Não precisa ser paulista, carioca, tampouco porteño para aceitar.

E música não é para ser entendida, e sim para ser apreciada. O julgamento é determinado pelo “gosto / não gosto”, não pelos critérios lógicos e frios da compreensão mecânica. Logo, reservo-me o direito de gostar de tango sem gostar de 432 horas de Señor Tango, tanto quanto me reservo o direto de um dia, se me der na telha, gostar de carnaval, sem ser avaliado como um “desaculturado”.

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