O dia em que Batman investigou os Beatles

Não há nenhuma banda que gere mais conversa entre tantas pessoas quanto os Beatles. Além da contribuição musical para a humanidade, que dispensa maiores comentários, a banda sempre gerou um sem número de controvérsias que ajudaram a alimentar o mito e tornar os 4 músicos de uma banda em uma entidade.

Também não há nenhuma mídia que trabalhe tanto o imaginário popular quanto os quadrinhos. As possibilidades narrativas de uma HQ são infinitas, uma vez que não está sujeita à logística hiperinflacionada de uma produção cinematográfica, e é mais atraente do que uma radiofônica.

Considerando estes dois fatores, entende-se porque a história “Dead…Till Proven Alive”, publicada originalmente na revista Batman 222 (de junho de 1970), seja tão lembrada por aficcionados tanto por HQ quanto por Beatles.

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Podemos listar muitas histórias fantásticas que envolvem a mitologia dos Beatles: desde o “somos maiores que Deus”, passando por fumar maconha no Palácio de Buckingham, viagens espirituais para a Índia, tocar no telhado do Abbey Road Studios, talvez a história mais fantástica seja a teoria de que Paul McCartney morreu em um acidente de carro e foi substituído por um sósia.

Quanto ao Batman, é um dos maiores personagens de quadrinhos de todos os tempos, outro símbolo pop, tão grande e tão facilmente e universalmente identificado quanto os 4 músicos de Liverpool, com mais de 60 anos de vida e gerando uma infinidade de aparições em diferentes mídias, sempre com grande sucesso.

Aproveitando-se da famosa história da morte de Paul McCartney, Frank Robbins (escritor da revista Batman na época) criou a história da edição 222 da revista americana.

Obviamente, nomes e situações são alterados para não afligir personagens da vida real; ao invés de Beatles, a banda se chama “Oliver Twists”, uma homenagem à obra de Charles Dickens. A banda tem quatro membros (não!), um pastiche dos verdadeiros Beatles, com fardão do Sgt. Peppers e tudo que se tem direito. A dupla de principais compositores (e peças-chave da história) tem nomes interessantes: Glennan e Saul (Cartwright).

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A capa da HQ é extremamente sugestiva: é uma paródia da contracapa do Sgt. Pepper, com as mesmas indicações da morte de Paul:

1. Saul (ou Paul) está de costas, uma indicação de que ele seria o impostor;

2. Como em Sgt. Peppers, Saul parece mais alto que os outros, o que significaria que ele estaria “ascendendo”.

O detalhe errado da capa fica por conta do personagem “Glennan” (Lennon para os íntimos), acompanhado dos outros “Twists” que saem da cova, estar descalço. Sempre lembrando que na capa de Abbey Road, uma das famosas referências à morte de Paul, é ele que está descalço, e não Lennon.

Nem o detalhe bacana da música ao contrário fazer referência à morte de Paul escapou da versão HQ: o hit “Summer Knights”, se tocado a uma certa velocidade, mostra Glennan cantando “Foi realmente divertido, Saul – pena que acabou!”, bela referência ao “turn me on, dead man” que se ouve em Revolution #9, do Álbum Branco.

Além da referência a um “pink submarine”, o acidcente de Saul se explica porque ele não quis ir com os outros Twists para a Índia, “descobrir os mistérios do Oriente”. Bem como os mais ligados em Beatles sabem, a banda passou um tempo com o guru Maharishi em Rishikesh.

Enfim, a história é muito divertida, com um final surpreendente (e não é o que você acha!). Para saber como a história termina, baixem a HQ deste link (avisem se estiver fora, que coloco de novo) e depois leiam uma teoria interessante que se relaciona ao final da HQ.

Links bacanas:

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3 thoughts on “O dia em que Batman investigou os Beatles

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