Programão do sabadão: teatro + barraco

A novidade do fim de semana do paulistano não tem nada a ver com novas modalidades de fila, nem com pagar 2x o preço do ingresso do cinema em pipoca, nem ao menos ser assaltado no farol.

A moda agora é se deleitar com a interpretação marcante e a cenografia afiada de uma peça de teatro, e ser agraciado com uma horinha básica de um autêntico barraco made in Brasil.

Caso em questão: estreou no dia 7 de julho a peça “Salmo 91”, adaptação do jornalista Dib Carneiro Neto para o livro Estação Carandiru, do Drauzio Varela. O livro já gerou o filme Carandiru, e a versão teatral conta com 10 monólogos, intepretados por 5 atores.

Até aí, tudo bem. O problema é que no sábado, 21 de julho, a peça foi invadida por um grupo de pessoas. Karina Florido Rodrigues é ex-assessora do Coronel Ubiratan, responsável pelo confronto / extermínio (depende que versão você defende) na famosa cadeia,  e entrou no palco após o fim da peça para protestar contra uma possível “apologia ao crime” que a peça faz. Antes disso, elas escreveu um artigo no blog da peça.

Segundo quem esteve lá, a coisa desandou para um leve bate-boca, com retrucos do público para a moça, incluindo a pergunta “por que você não faz a sua peça ao invés de criticar a dos outros?”. Boa pergunta, mas que ficou sem resposta.

De qualquer maneira, mais ou menos 1/3 do público ficou para o debate promovido ao final da peça, que incluiu a presença de diretor e autor da peça.

Mas como o nosso teatro é bundão…coisa assim tinha que se resolver no bate-boca. Eu, se fosse contra a moça, já pularia no pescoço dela durante a peça. Ou a chamaria de mal comida para todo mundo ouvir. Mas nããããããããão…ao invés da alternativa mais bacana (=porrada), fazem de um chamariz de barraco um “debate intelectualizado”.

E levam a briga para o blog da peça…daqui a pouco, vão acertar as diferenças em um brunch…

Por isso que ninguém vai no teatro: até as brigas são soníferas…proponho, para uma revitalização do movimento tetral brasileiro, uma sessão de bate-boca ao final de cada peça; se não chegarem a um acordo, porrada

Esse é o teatro vivo!!! Se sair com as crianças para ver Chapeuzinho Vermelho, nem pisca: cobre o lobo de porrada assim que sair do palco…

Mas do jeito que a coisa anda, o diretor vai querer marcar um debate após a peça para discutir as motivações do Lobo: ele come a vovozinha por ter sido molestado na infância ou por imperativo sócio-econômico?

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One thought on “Programão do sabadão: teatro + barraco

  1. Qualquer manifestação artística que aborde a ditadura no Brasil ou o submundo, inclusive o político, tá fora do meu roteiro. Quem assistiu Pocilga, de Pasolini, como eu, já viu o fundo do poço. Que mania de ficar revivendo as tragédias da chamada vida real!!! Dá licença…

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