Chiclete com Banana voltou – antes tarde do que nunca

Demorou, mas finalmente bateu uma iluminação no mercado editorial brasileiro. A Devir, depois de lançar diversos títulos do Angeli no mercado (basicamente coleções de tiras) lançou o primeiro fascículo da Antologia Chiclete com Banana.

Em 16 edições mensais, o relançamento vai recapitular pedaços de todas suas edições regulares e especiais, selecionando o melhor do melhor do humor rasgante do Angeli, de seus alter egos e de seus parceiros no crime, gente não menos genial como o Laerte e o Glauco.

capa_250.jpgA Chiclete com Banana foi o meu (e o de muitos) primeiro contato com o humor anárquico, mostrando novos tempos adiante. Em tempos de internet, com informação fácil, é muito fácil dizer que não há quase nada na revista que possa ser considerado revolucionário, mas é impossível analisar a obra de 10 anos da revista sem levar em conta a época.

Era um tempo de falsa abertura, onde se os milicos não mandavam mais, a falsa moral ainda falava alto; tirando uma Playboy ou outra que caia na minhha mão (direita), devo dizer que a Chiclete foi meu primeiro contato com asacanagem, naquelas colunas deliciosamente sacanas do Edi Campana.

E que desfile de personagens: já no primeiro fascículo, tem Rê Bordosa, o já citado Edi Campana, Los 3 Amigos, Cristiane Tricerri (ai ai ai…), Meia Oito (e seu suspeitíssimo “companheiro” Nanico), o eterno clássico Angeli em Crise, entre muita coisa legal. Mas vou dar destaque a dois pedaços da revista que lembro desde a primeira vez que a li: “Bob Cuspe é a Salvação” e “Penas” (do Laerte).

angelimatador.jpgEu lembro até hoje da história do Bob Cuspe, um certinho tornado punk que morava embaixo do mundo com os ratos, e que viria para afetar a vida de todo mundo. “Bob Cuspe vai acabar com essa mamata”, disse o mordomo para o rico, que dizia “ora, vá se foder!”. Quer coisa mais atual que isso? Só dele existir a gente já sacava tudo de errado que tinha no mundo.

Já “Penas”, apesar de não ser do dono da revista, é um trabalho fantástico do Laerte. devo ter lido tantas vezes que decorei cada quadrinho. Poucas histórias são tão imortais quanto essa, coisa que me fazia pensar com menos de 15 anos. Foi o tipo de coisa que na época me meteu o pé na bunda para criar, sejm dúvida. É atemporal e universal.

E isso é só o primeiro número…a revista volta em um período de extrema necessidade, onde apesar do discurso de liberdade que a internet reclama, o politicamente correto ainda dita o senso comum. É tão bom que você fica triste por ter acabado, e noiado de esperar mais um mês pela próxima edição.

Mesmo com algumas piadas remetendo a fatos específicos da época (megainflação, troca de moedas, o pânico da AIDS), nada lá é impossível de se compreender ou de se traduzir para os dias de hoje. Estava na hora de chutarem o balde; pois, mesmo com todas facilidades, ainda são poucos que ousam como o Angeli fazia.

E claro, não é Chiclete com Banana se não é impressa no papel jornal. Esse é o detalhe que faz a diferença.

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5 thoughts on “Chiclete com Banana voltou – antes tarde do que nunca

  1. Olá !
    Tenho a coleção completa, mais os Especiais, da revista Chiclete com Banana (décadas de 80 e 90).
    Tudo muito bem conservado. São 36 revistas.
    Nenhum amassado, nenhum rasgão.
    Material genuíno e raro.
    Se alguém tiver interesse, peço que entre em contato.
    Abraço
    mariomarredo@yahoo.com.br

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