The book is in the bathroom

Ultimamente, retomei as minhas compras de livros habituais, pausadas pelos reincidentes gastos com a manutenção do meu carro (já está na hora de vender), mas agora ele está 10 e minhas contas em dia. Comprei recentemente 4 livros, que estou lendo ao mesmo tempo.

Sim, ao mesmo tempo. Como um parênteses, vou explicar qual o “método”: cada um tem que estar em um lugar e relacionado a uma situação específica. Assim, não esqueço onde estava quando peguei o livro na última vez e consigo dar mais ou menos o mesmo tempo a todos.

Segue minha lista com o que eu gosto de ver em um livro e a condição de leitura de cada um (de repente meu sistema serve para você). De quebra, links no título dos livros para a página de comparação de preços no Buscapé.

Kiss – Por Trás da Máscara
David Leaf e Ken Sharp
Local: banheiro
Situação: adivinhe

A biografia oficial da banda. O livro é fantástico na informação por juntar duas condições bem importantes: primeiro, a biografia contada pelos membros da banda, com base em uma entrevista feita em 1979. Como o livro foi publicado em 2003, aquelas entrevistas mostram “a real” da história da banda, e não aqueles remakes que os anos e a maturidade trazem para as recordações de alguns. Entção, há uma sinceridade maior na parte “biografia” do livro.

A segunda parte trata da “história oral” da banda, e é aí que a diversão começa. Eu adoro esse estilo de montar a história de alguém por meio de entrevistas, pois monta-se algo coeso com fotografias de determinados momentos. E não machuca nada ver outros artistas famosos falando sobre a banda.

Dentro desta segunda parte, existe também uma avaliação música a música dos discos da banda, usando o mesmo expediente.

Leio este livro durante os momentos de reflexão no trono, pois é leitura fácil, não técnica. Gosto de reservar livros assim e revistas para ler no banheiro, pois ajuda no clima mais relax que o banheiro proporciona. Você lê coisas muito complicadas, e se arrisca a uma prisão de ventre, mental e física.

O Corpo Fala: a Linguagem Silenciosa da Comunicação Não-Verbal
Pierre Weil, Roland Tompakow
Local: cama
Situação: ouvindo música

Best seller de 2 gerações, O Corpo Fala foi um dos primeiros livros que li na faculdade. Um amigo do meu pai disse que seria muito útil para mim profissionalmente, pois saber “ler” as pessoas signifcaria ter uma vantagem no mundo. Li umas 2 vezes de 1996 para cá, e retomei agora, após uns bons 7 anos sem lê-lo.

O que me atrai para esse livro é a facilidade da linguagem: o assunto é pesado, mas a alta preocupação dos autores com a forma como passar o conhecimento, as ilustrações abundantes e a interação como se fosse uma sala de aula (oferecendo até alguns capítulos de interlúdio para reflexão ou para observação do cotidiano).

O livro é extremamente útil, e é aquele tipo de obra que você percebe a eficiência quando percebe que está lendo as pessoas da maneira correta, que aqueles sinais que o livro oferece correspondem perfeitamente ao mundo que te cerca.

Eu leio esse tipo de livro na cama à noite, enquanto ouço meu iPod. É uma leitura técnica, mas descontraída o suficiente para permitir uma trilha sonora. Como é um livro que exige muita observação prática, é ideal para se ler no ônibus, salas de espera ou filas por aí.

As 10 Faces da Inovação
Tom Kelley
Local: quintal
Situação: tomando notas sentado embaixo do guarda sol (de preferência em um dia ensolarado)

Tom Kelley é o Gerente Geral da IDEO, empresa de design nascida no Vale do Silício e líder em inovação nos EUA. O mais notável desse livro é tratar não da criatividade em si, mas como derrubar as barreiras que separam o que você cria do que você realiza. A grande deixa do livro é eliminar de vez o chavão, paradigma, lugar comum que é bancar o Advogado do Diabo.

Mais que apenas o nome de um filme ruim com Keanu Reeves e Al Pacino, o advogado do diabo é aquele que vê defeito em qualquer idéia, com a premissa falsa de “checar a validade da idéia”. O que ele faz é matar a idéia, pois ele não a analisa pelo que ela é, e sim pelo que ela não é (captou?). Fale se você nunca esteve em uma reunião, até mesmo informal, e alguém diz “posso bancar o advogado do diabo?”, para em seguida detonar o que você pensou ser tão bacana.

Tom Kelley parte da premissa de que uma idéia deve ser analisada por 10 “personalidades”, e nenhuma delas está lá para colocar defeito. As faces e avaliações são: antropólogo (aspectos humanos da idéia), experimentador (teste contínuo de soluções), fertilizador (interligação de informações e idéias distintas), saltador de barreiras (sempre enfrentar desafios) , colaborador (trabalho em equipe), diretor (motivação e coordenação do todo), arquiteto (criação de espaços de interação e vivência), designer (equilíbrio entre o que é privado e o que é colaboração), contador de estórias (disseminação do conhecimento) e solícito (empatia).

Qualquer um que cria tem estas características em maior ou menor intensidade, mas é possível exercer as 10 para otimizar a inovação dentro da empresa. Eu diria que o foco está no corporativo, mas qualquer um que cria pode ler esse livro tranqüilamente, pois ele é uma bela ferramenta para criar coisas interessantes e torná-las realidade.

Gosto de ler livros assim em um ambiente quieto e tranqüilo, com um clima agradável. Facilita a concentração mais do que um ambiente fechado e / ou barulhento. Meu quintal é perfeito para isso, e me ajuda também a fazer anotações enquanto leio.

Essas notas não são apenas sobre o conteúdo do livro, mas sim sobre idéias que vão aparecendo enquanto leio, ou idéias que estou desenvolvendo que podem ser melhoradas se avaliadas de acordo com os perfis do livro.

Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything
Steven D. Levitt, Stephen J. Dubner
Local: quintal
Situação: ouvindo música

Um excelente livro de banheiro, o Freaknonomics do economista Steven Levitt (escrito com Stephen Dubner) pode ser lido em situação parecida com a do As 10 Faces da Inovação, só que de maneira mais descontraída. Levitt brinca com a idéia de relacionar fatos aparentemente desconexos de maneira a mostrar que sim, um influencia diretamente o outro.

O livro ensina de maneira indireta a fazer ligações, buscar soluções usando o tal do pensamento lateral, ou seja, o pensamento não convencional. Fica descontraído por isso, mas exige uma certa atenção para entender o método por trás da loucura, uma mistura de efeito borboleta (onde um evento mínimo causa grandes ondas no futuro) com surrealismo.

A linguagem do livro é o ponto forte: sem grandes enrolações, deixando o leitor tirar suas próprias conclusões e altamente acessível.

Quem cria e vive de buscar respostas tem que ler este livro. Uma amostra grátis do pensamento de Stephen Levitt pode ser encontrada no Freakonomics Blog.

Em tempo: o link para o Buscapé está no título, mas a minha cópia foi comprada na Livraria Cultura nova (do Conjunto Nacional), e é um papeback americano. Para quem sabe bem inglês e não se importa com papel “um pouco melhor que jornal”, é uma alternativa boa e barata (metade do preço da versão nacional). Tenho paperbacks aqui em casa com mais de 5 anos que estão em ótimo estado, para quem se preocupa com durabilidade.

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