Kiss – Symphony

Ganhei recentemente de presente uma cópia do Alive IV do Kiss, mais conhecido como Kiss Symphony, com a Orquestra Sinfônica de Melbourne. Esse é o primeiro trabalho do Kiss que eu compro ou ganho em um bom tempo. Antes de falar do material, algumas considerações.

Kiss SymphonyTenho quase a coleção completa, mas passei por um hiato, causado pela forçosas mudanças de lineup, adequando a banda a uma estrutura que desse mais dinheiro. Trocando em miúdos, a volta de Ace Frehley e Peter Criss com máscaras, fantasias e demais coisas foi a pior cagada que a banda poderia ter feito.

A formação com Bruce Kulick e Eric Singer era sólida, pesada, moderna e pronta para manter a banda relevante no novo século. Psycho Circus é um disco ruim? Não, mas poderia ser feito com Bruce e Eric sem perda de 1 décimo de qualidade; pelo contrário, poderia ser melhor.

Minha proximidade com o Kiss desandou nesse ponto. As mudanças seguintes, com Tommy Thayer no lugar de Ace e Eric Singer de volta no lugar de Peter Criss, que poderiam ser o começo de algo bom, ruiram com a insistência em se fazer tour com material antigo e não gravar nada de novo.

O Kiss virou hoje em dia uma banda tributo, e o Alive IV só reforça esse sentimento. De bom, devo apontar que um elemento novo (orquestra) no show traz um respiro interessante. Os arranjos são excelentes, não transformam a orquestra em um elemento de fundo, e sim em um virtual 5º membro da banda. Músicas como Black Diamond ganharam em dramaticidade, e Detroit Rock City em pomposidade.

O set acústico com a versão ensemble da orquestra é muito feliz, apesar de uma versão inexplicavelmente mal timbrada de Forever. Mas músicas como Beth (esqueça o fato de que a tecladista foi eliminada do mix e regravada em estúdio – é notória a diferença entre o que ela toca e o som que sai) e Shandi ganharam uma roupagem definitiva, com a orquestra preenchendo os lugares certos das canções. Apesar de não serem surpressas (pois já apareciam no Acústico MTV), Sure Know Something e Goin’ Blind são escolhas excelentes.

Kiss symphony 2Quanto à banda em si, há de se admirar o esforço do Tommy Thayer em ser Ace Frehley, de representar o papel. Os solos são reproduzidos com alta fidelidade (mais fidelidade do que deveria, mas ok), e até alguns dos trejeitos do ex-guitarrista são bem reproduzidos. Sou totalmente contrário a isso, mas se vai fazer que faça bem feito…

Peter Criss é uma lástima. Nunca foi um grande baterista, mas soube aproveitar muito bem seu auge (lááááááá nos anos 70). Na volta do Kiss, virou uma figura patética, de trabalho preguiçoso e sem vibração. A brochante introdução de bateria em Deuce, se comparada com a de Eric Singer no Alive III, vira tamborzinho. Burocrático, desleixado, e mais preocupado com micagens que em entregar uma boa performance. Poderia ter preservado sua biografia e não ter embarcado nessa, limitando-se à participação no acústico da MTV.

Gene e Paul foram, como sempre, Gene e Paul. Minhas reclamações com eles são apenas duas: uma eu já falei, dessa coisa de refazer os shows dos anos 70 hoje: os mesmos discursos, as mesmas atitudes, pausas, etc. Parece ensaiado, perde muito em naturalidade. Segundo, minha bronca eterna de disco ao vivo do Kiss: overdub. Eu não sei a maioria dos fãs, mas eu nunca me incomodei em ver meus bootlegs do Kiss e ver que de vez em quando o Paul não faz o backing que ele deveria, ou que o Gene desafina loucamente, nem mesmo de ver que trechos de guitarra base não existem, deixando a solo sozinha.

Kiss Symphony 3

Nunca me incomodei, porque isso é um show do Kiss. O que me incomoda é refazer tudo isso em estúdio, para passar a impressão de que o show foi irretocável no quesito fidelidade. Incomoda muito mais ver no vídeo momentos em que se ouve a voz do Paul em um backing e até mesmo em uma voz principal, e ele estar a quilômetros de um microfone. Não engana ninguém, e para mim soa e parece feio demais.

O público faz sua parte de maneira invejável: muita gente maquiada, muita criatividade (as “freirinhas” de Kiss são ótimas) e muta, mas muita mulher. Mas esse é um Kiss mais “kids friendly”, então esqueça os peitos de fora que você via nos vídeos do Alive III, por exemplo. A criançada domina o vídeo, mostrando que o Kiss tem ótimo senso de marketing; mas esse excesso de senso está prejudicando o lado artístico.

Enfim, achei um belo material, apesar dos defeitos. Mas o que não consigo engolir com propriedade ainda é a necessidade da banda de recriar arftificialmente um clima que nasceu expontaneamente nos anos 70. A banda havia deixado isso para trás na hora certa, criou uma sólida carreira sem máscaras e adaptada aos novos tempos, mas estragou toda a evolução com um golpe de marketing.

O excesso de marketing do Kiss (que sempre existiu, mas nunca afetou os palcos a ponto de se tornar intragável até então) alienou alguns fãs mais antigos, mas trouxe muitos outros novos. Não existe julgamento certo nessa questão, cada um tem o seu; na minha opinião, é condenável. Eu ainda sonho com o fim das máscaras (de novo) e com a gravação de um novo disco, com Tommy Thayer e Eric Singer. Não custa.

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5 thoughts on “Kiss – Symphony

  1. entaum…adorei o dvd…estou comprando pro meu noivo…mas gostaria de te fazer uma pergunta, jah que vc conhece tudo da banda…porque existem 2 tipos deste dvd, um preto e este = ao seu?
    por favor me ajude…..esse cinza ae é mais barato…

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