Um mundo de nóias

O planeta terra é uma jóia. Estudantes invadem reitoria para fazer churrasco, centroavante faz 900 e poucos gols e arredonda para 1000, modelo que transa na praia tenta fechar internet, meninas de 15 anos tiram fotos de roupa com a câmera do celular para mostrar para as amigas antes da balada…realmente, esse mundinho é algo.

Mas tem algo que nunca muda, aliás só cresce, com o acelerado ritmo global: a nóia. A modernização e esquisitização do mundo faz brotar novas e maiores nóias a cada dia. Antigamente, nossos antepassados só tinham que se preocupar se Deus estava vendo o que eles faziam na alcova. Hoje, a gente tem certeza que estão nos vigiando, inclusive na alcova.

E o “mercado nóia” responde a isso como? Desenvolvendo soluções que tiram proveito desse sentimento crescente do século 21. O marketing da modernidade não é voltado para soluções que propiciem conforto (isso é o que eles querem que você pense), mas sim para tirar o máximo de suas nóias. Eis alguns exemplos.

Hoje, temos a invenção mais desconfortável socialmente falando que existe: o elevador. É impossível entrar no elevador e não tentar evitar olhar as pessoas no olho. Mas aí a criatividade sempre vence o ócio, e alguém teve a idéia de usar o elevador como mídia para informações. No prédio onde trabalho, existe uma TVzinha que transmite notícias do terra, junto com anúncios e curiosidades. Uma benção para a maldita viagem prédio acima (ou abaixo). Tem invenção mais condizente com a modernidade anti-social?

Em Middlesbrough (Inglaterra), as câmeras que vigiam a rua vê com um twist: microfones foram acoplados aos equipamentos para que o cidadão seja não só vigiado, mas alertado. É como se a voz de Deus falasse “estou te vendo aí na sua alcova, fazendo sexo com sua mulher sem fins de procriação”. O policial que vê, digamos, um casal transando em um matinho no parque vai dizer “estou te vendo aí, no matinho, fazendo sexo com essa moça que nem sua mulher é, e dependendo da sua falta de proteção, o fim pode ser procriação”. É o ápice do fim da privacidade.

E onde você pode ter “certeza” de que sua privacidade vai ser respeitada? No banheiro. De repente, o dormiório do vaso sanitário virou o santuário, o local onde você não é incomodado por nada (dependendo do cheiro, não te incomodam nem para salvar sua vida). Então, como o mercado nóia responde a isso? Desenvolvendo um centro de entretenimento acoplado à privada!

Diz aí, o que você acha de ter à sua disposição no vaso iPod, Playstation, PC, geladeira (comer no banheiro?!?! Mas o propósito de ir no banheiro não é porque você comeu já?), biciceta ergométrica e o escambau? Diz aí, não é o fino do isolamento? Você nunca mais vai querer fazer cocô na casa do Pedrinho…

O mundo está tão nóia que imagino um dia as pessoas se relacionando pela internet sem sair de seus banheiros. É o paraíso nóia. Se as pernas formigarem, pedala um pouco na bicicleta ergométrica.

A privacidade está morta. Longa vida à privacidade da privada!!!

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