Cia. Dramas de Baixo Orçamento Apresenta…

Feriado em New York Salvador Sorocaba Casa

Era noite (conta de eletricidade vai aumentar demais – Financeiro). Aí, amanheceu e nossa história começa. Adriana senta-se em seu confortável sofá (o melhor que conseguimos arrumar foi um sofá-cama – Cenografia), utilizando um belo vestido que comprou no bacião do Brás (precisamos do vestido até sexta, para pegarmos de volta o cheque caução – Figurino), comendo uma rapadura da inigualável Casa do Nordeste, na Av. Rubens Falcão, 2500 (já fechamos o patrocínio? – Marketing).

Felipe, por sua vez, senta-se ao lado de Adriana (esquece, o sofá está furado – Cenografia). Mas antes de sentar-se, resolve ficar de pé mesmo. Liga a TV (ela está quebrada, não dá para consertar – Produção), mas percebe que a mesma está quebrada, o que o leva a lamentar ainda mais o feriado.

Queria ir para New York, mas ficou em SP mesmo. Preferia sentir os aromas da cidade, passar pelas experiências tipicamente paulistanas, como jantar no Terraço Itália (Boteco do Zé – Diretor), ir ao cinema no domingo (4ª feira é mais barato – Produção), levar o cachorro ao parque (não está previsto cachorro no orçamento – Financeiro), mas aí lembra que não tem cachorro. Mas tudo bem, a cidade oferece milhares de experiências, muitas delas de graça inclusive (isso! – Diretor).

Adriana termina de comer e vai lavar o prato na pia (precisamos pagar a conta de água – Financeiro), mas desiste. A torneira deve estar com problemas. Pede para Felipe que separe seu melhor terno (o melhor que arranjamos foi um de poliéster no brechó – Figurino), mas disse que aquele antigo de poliéster também serviria, uma vez que estava se sentindo meio retrô.

Sugeriu que saissem. Felipe respondeu:

“Adriana, para onde queres ir? A cidade nos oferece tanto, que New York parece uma cidade do interior. São Paulo é tudo que uma cidade grande gostaria de ser, uma metrópole inigualável!”

(Cortar diálogo, pois estamos pagando os atores por palavra – Financeiro)

“Adriana, onde vamos? A cidade é mó barato.”

Adriana ficou em dúvida. Poderiam ir ao Ibirapuera (muito longe, verba de gasolina não vai dar – Financeiro) (e o carro da produção está quebrado – Produção), mas o parque deveria estar muito lotado no feriado. Pensou em ir a uma lanchonete (o Boteco do Zé ainda não respondeu sobre comprar patrocínio no filme – Marketing), mas lembrou que já tinha comido a rapadura.

Aí, veio a idéia de simplesmente brincar no parquinho do prédio. Felipe colocou seu terno (mostrar ator da cintura para cima, pois queimamos a calça com o ferro de passar – Figurino), Adriana se maquiou (verba de maquiagem no limite – Financeiro) mas não muito; afinal, era dia, e ela tinha aquela beleza natural que somente verdadeiras belas tinham.

Enquanto brincavam no parquinho, um bandido apareceu (não tenho mais um ator no budget – Financeiro) (eu mesmo faço o bandido – Diretor). Era mal encarado, um verdadeiro malfeitor; Adriana e Felipe se assustaram quando ele sacou o revólver (não conseguimos um revólver por conta de verba – Cenografia) de brinquedo (também não conseguimos – Cenografia), mas que no final revelou-se um pedaço de pau (ok! – Cenografia).

Felipe, preocupado com o bem estar de Adriana, bradou:

“Por favor, deixe-a ir! Ela é tudo para mim! Leve o que você quiser, mas deixe-a ir!”

(só lembrando que pagamos por palavra – Diretor)

Felipe estava tão transtornado que falou tudo isso em linguagem de sinais. Por sorte, o bandido tinha uma mãe surda-muda, e entendeu. Não quis nem saber: virou para Felipe e PAU, acertou a cabeça dele…sangue jorrou (não deu pra comprar sangue cenográfico – Produção), uma violenta hemorragia interna.

Felipe ficou desorientado e o bandido fugiu, enquanto Adriana sacou seu celular (meeeenos – Financeiro), mas lembrou-se que o aparelho ficou em casa. Correu então para o orelhão e ligou para 190.

A polícia chegou (pode parar…de onde vai sair dinheiro para carro pintado que nem carro de polícia, fantasia de policial, atores… – Diretor), mas veio somente um investigador à paisana, que veio a pé (melhorou, mas ainda tem o problema do ator – Diretor). O investigador parecia-se muito com o bandido, e daí Felipe descobriu que se tratava do irmão gêmeo do malfeitor (gênio! Vou fazer o papel do investigador também – Diretor).

Felipe, Adriana e o investigador conversam enquanto esperam a ambulância e preparam-se para procurar o bandido que acertou a paulada em Felipe (termina esse roteiro agora, precisamos filmar tudo em um dia só, senão ninguém recebe – Financeiro). Mas Felipe diz (cachê por palavra!!! – Financeiro), escrevendo com um galho no chão de terra: “esquece, quero só ir para casa. Nunca mais quero passar um feriado em SP”.

FIM (sem verba para crédito também – Financeiro), escreveu Felipe na terra.

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