Criatividade em Propaganda III – Quanto vale esse post? Não responda ainda!!!

Parece um assunto velho, mas é impressionante como os produtos de televendas continuam firmes e fortes nas TVs e afins. Desde a época do 1406 (lembram?), a gente é abordado por uma série de produtos “milagrosos”, que prometem de tudo para eliminar TODOS seus problemas.

 

Agora, o 1406 virou Polishop (não tenho confirmação, mas é bem óbvio que se trata da mesma empresa), e nada mudou. Tem publicitário que adora essa abordagem americanizada, de praticamente puxar o cara do sofá para ligar (o famoso “call to action”, se você se liga em frescuras de nome), mas ignora que o produto tem que ter alguma qualidade. Ignora principalmente que O 1406 / Polishop age na linha finíssima entre a propaganda enganosa e a solução milagrosa.

 

O 1406 / Polishop é uma espécie de Paraguai Delivery. Ao invés de se enfiar em um busão por 12 horas, tomando banho em pia de banheiro de rodoviária, rezando para a caixinha que o motorista deu para o guarda na fronteira ser suficiente, você apenas disca um número e as muambas vão até você.

 

O melhor exemplo disso é a clássica faca Ginsu: ela parece ter sido feita para quem mexe nos encanamentos enquanto faz salada, porque corta o cano e em seguida fatia o tomate. É bem esse o espírito dos produtos do 1406: ótimos para fazer tarefas absurdas, mas inúteis para fazer o que deveriam.

 

O mais interessante é a profusão de nomes americanos ou americanizados, quando o produto é claramente chinês. Acham que enganam quem? É um tal de Banjo Minnow, Sonic 2000, AB Toner, Breeze Cam…

 

Quem comprou os produtos sabe q trolha que são. Talvez por isso sejam caros: para compensar o universo de clientes potenciais anulados por algum conhecido que comprou uma Breeze Cam e tirou fotos que sairam um lixo. Mas os comerciais são um luxo: tome 2 horas de demonstração das mesmíssimas funções, em uma espiral infinita de filés sendo fritos no George Foreman grill, de abdômens já durinhos no AB Shaper, de cabelos levando chapinha do Wet and Dry…

 

Tony Little: mestre do spacatto

Os comerciais evoluiram desde a época do 1406: antes, eram feitas dublagens mal sincronizadas de filmes made in USA (para produtos made in China), com personagens e momentos marcantes, como Tony Little (VOCÊ NÃO PODE ABOTOAR TODOS OS BOTÕES DE UMA CAMISA POLO!!! É SIMPLESMENTE ERRADO!!), e o programa Amazing Discoveries, onde nerds eram contratados como apresentadores para dar um lustre “hi tech” para os produtos. Algo do tipo “nossa, ele usa óculos, penteia mal o cabelo, é magricelo e usa as canetas no bolso da camisa – ele deve saber do que está falando!!!”.

 

Os comerciais faziam tanto sucesso, que sabe-se de casos onde uma família apareceu nos escritóriios do 1406 em Alphaville, toda bem vestida, querendo participar da gravação do programa do Tony Little. Sério. Se isso é possível, eu consigo imaginar pessoas que dialogassem com os comerciais:

Comercial: “A cueca Zorba Master 3000 lhe protege do fogo, do frio, é autolimpante, autoajustável e ainda pode destruir cálculos renais! Quanto vale tudo isso???”

Espectador incauto: “Bom, acho que uns…”

Comercial: “NÃO RESPONDA AINDA!!!!”

Espectador incauto: “Desculpa, foi mal…não quis falar por cima…”

 

Meus hamburgeres descem tão macios quanto um murro no estômago!

Hoje, os filmes made in Brazil, com o mesmo ar de boçalidade dos apresentadores (sem nerds) quando falam dos milagres que uma bateria ligada ao seu abdômen produz. Aliás, se a Polishop é tão certa de que estes produtos facilitam minha vida, porque não fazem programas ao vivo? Afinal, sou levado a acreditar que os produtos sejam infalíveis, e que se algo der errado é porque eu não soube usar; então…

O mais engraçado é que os anônimos estão lentamente sendo substituídos pelos famosos, sejam marcas ou personalidades: o George Foreman Grill é um campeão de vendas, usando a imagem do ex-pugilista. Até sambar nos programas daqui ele sambou…A Walita está desembocando algus produtos via Polishop também, em uma esquisita estratégia. Eu não gostaria de ver minha marca com décadas de idade associada ao pessoal que vendia a Penalli Fountain Pen, o mesmo pessoal que prometia que você poderia ouvir uma agulha caindo do outro lado da sala com o Sonic 2000.

A Polishop rendeu alguns filhotes bastardos, com igual pobreza de conteúdo. Caso em questão: Tecpix, a tal câmera / filmadora / gravadora / coqueteleira / arma de fogo que a tal da Technomania vende…é um produto com o espírito da Polishop: atuante em muitas coisas, mestre em nenhuma.

 

Ainda essa semana, a empresa que vende a Tecpix começou a misturar parcelas de uma maneira tal que o indivíduo nem percebe como está pagando caro: a última que eu vi eram 12 parcelas mensais de 49,90 mais 4 parcelas trimestrais de R$79,90. É preciso um mestrado de economia para saber exatamente o quanto vai ser pago no final, mas não preciso ser um gênio para perceber que estão me enrolando…

 

Enfim, o mundo fica mais moderno, o acesso a produtos e serviços fica mais fácil, mas certos hábitos nunca mudam: a muamba sempre terá seu lugar na sociedade brasileira.

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