Water, water everywhere

Saiu na Folha hoje (acho que é para assinantes), esta reportagem: Homem faz casa flutuante na baía de Guanabara e recebe notificação para sair . Só para dar uma idéia do que vou falar depois, o principal trecho da reportagem:

“Vivemos num sistema capitalista, que dá o direito à prosperidade, o que me dá o direito de ter minha ilha particular.” Assim Luiz Fernando Barreto de Queiroz Bispo, 40, explica a construção de sua casa de cerca de 10 m2 sobre as águas do canal do Cunha, um dos pontos mais poluídos da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Ele defendeu a tese para os fiscais da Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagos), mas não os convenceu. Foi notificado por “invasão com intenção de ocupar águas públicas de domínio estadual” e precisa sair em uma semana.

Voltei. Bem, essa situação é absurda por tantos motivos, que mal consigo enumerá-los. O cara foi lá, usou (segundo ele) 4 mil garrafas pet, e lá montou uma base de madeira, com casa, grama sintética e um Opalão de R$1000,00.

Aí, como acontece com toda iniciativa que não parte de autoridade, foi limado. Oras, o cara tem casa flutuante, logo não pode pagar IPTU, seu Opala é isento de IPVA, e como não tem endereço fixo (e sim móvel, hehehehe), as cobranças de tributos de propriedade não chegam a ele.

Oras, foram 4 mil garrafas pet para segurar a casa boiando! O cara é um ecologista! O Al Gore morreria de inveja…o Luiz Fernando não assinou a notificação que pedia para que ele saisse, tampouco se dobrou: prometeu greve de fome, em uma autêntica desobediência civil flutuante. Um motim, para ficar na expressão marítima.

Na pior das hipóteses, Luiz Fernando tem como fugir do oficial de justiça. Tá certo que para as mediocridades, os poderes são rápidos; então, é bom Luiz Fernando considerar anexar um motor de popa à sua residência, porque os homi não vão deixar isso barato. Tá certo que a máquina pública é um Titanic, mas não custa se garantir.

Luiz Fernando é conhecido por atitudes, digamos, esquisitas. Dizem os vizinhos (como um cara que mora na água tem vizinhos? Seriam o Nemo e o Tutubarão?) que uma vez ele se enterrou em um caixão por 48 dias. Impossbilidades à parte, é notório que Luiz Fernando reza pela cartilha da moradia alternativa.

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