Buenos Aires

Voltei de um carnaval longe do esquindolelê brasileiro, na belíssima Buenos Aires. Não bastasse a cidade dar um show de vida noturna, diurna, vespertina, etc., ela ainda é um exemplo de civilidade e conservação.

É impressionante você andar no “centro” da cidade e ver prédios com 60, 70 anos impecáveis, conservados. Aqui no Brasil, “centro da cidade” é sinônimo de pichação, andar com a bola colada no corpo, passo rápido, cabeça apontando para o chão, fila de ônibus, camelô ocupando a calçada. Lá, centro é o melhor lugar da cidade.

Não quero parecer elitista, pois sempre que a gente elogia a falta de camelôs ou de mendigos no centro de uma cidade, somos taxados de “higienistas”, como se gostássemos que os mendigos morressem só porque não os queremos ver nas ruas. Passei por alguns bairros pobres de BsAs, e mesmo onde a pobreza impera, a qualidade de vida é mais digna que a daqui. Não é um espetáculo; tem suas favelas, mas bem menos que aqui.

Mas enfim, toda história de viagem de um brasileiro tem que começar pelo aeroporto; afinal, todos perguntam “e seu vôo atrasou? Vocês esperou quantas horas? Pois bem; começamos (eu e Cris) a viagem na sexta. Chegamos 23:45 no portão de embarque, esperando o embarque previsto para 23:57 (famoso meia-noite). Vimos que o vôo anterior tinha saída prevista para 21:00, e os passageiros somente embarcaram à 0:00. Medo.

Porém, como nada é impossível para quem acredita, e Deus sabe o quanto a Cris já estava pegando no meu pé com insatisfação, fomos chamados 0:30. Meia horinha de atraso. Esperamos mais 30, 45 min no avião e fomos.

Não vemos tudo que gostaríamos em BsAs. Palermo ficou de fora de nossos roteiros, uns 50% da Recoleta também, e faltou conhecer alguns museus, pontos turísticos e ruas de compras.

Por falar em compras, essa história de BsAs ser o paraíso de compras para o brasileiro é meio mito. Não que eu tenha ido lá para comprar, mas os preços não são tão mais atraentes lá que compense o pagamento de excesso de bagagem na volta. Alguns produtos realmente saem bem mais baratos (notadamente CDs, DVDs e livros), mas outros tem preço comparável ao nosso. Quando você sai do roteiro turístico tradicional (redondezas da Florida), até acha coisas interessantes, especialmente na Av. Santa Fé.

Mas vamos ao momento gordo, um patrocínio de Xenical. O grande desafio que o roteiro de restraurantes portenhos impõe é você conseguir achar um lugar onde se coma pouco ou se coma caro. Absurdamente barata, absurdamente boa e em abundância, a carne argentina dá um pau em qualquer Fogo de Chão que se coma aqui no Brasil, a 1/3 do preço.

Dentro desse panorâma gastronômico, ficam três recomendações:

O Siga La Vaca é um rodíziozão, localizado em Puerto Madero, e cobra 42 pesos (mais ou menos 30 dinheirinhos nossos) pelo circuito completo: todas as carnes que você conseguir comer (contei uns 12, 13 tipos), batata frita, saladas à vontade, bebida (1 litro de refri ou água à vontade ou uma garrafinha de vinho) e generosa sobremesa. Negócio da China. Um pessoal que estava conosco quis ir no cabaña Las Lilas, dos donos do Rubayat, e no final pagaram 38 pesos só no prato. Sifu.

O El Palacio de la Papa Frita por sua vez, tem cara de cantina do Bexiga, e como o nome já diz, tem como carro chefe as fritas. O bife aqui é acessório (e que acessório: lembrem-se que em BsAs qualquer bife de qualquer restaurante é jogo), porque as batatas fritas estilo “almofadinhas”, bem cheinhas, são um show. Como o Siga La Vaca, eles também tem um “especial turístico”, que foi recusado por mim e pela Cris porque a fome não era tanta. Mas vale à pena.

A Pizzaria La Continental fica na Recoleta, e é pizza de encher a boca: massa crocante por fora, pãozinho por dentro, fininha, super leve. Melhor que muita pizzaria badalada em SP.

No domingo, fiz o tour do La Bombonera, casa do Boca Jrs. Achei muito bacana a recepção, o conhecimento do guia (ex-jogador do time de jrs.), mas esperava ais do estádio. Incrível é ver a proximidade da arquibancada e numeradas em relação ao campo, mas as instalações e estado de conservação deixam a desejar. O museu é bacana, nada mais. Odeio dizer isso, mas os de São Paulo e Corinthians estão à frente nesse quesito. Apesar que é emocionante a trilha sonora do museu, com narrações de locutores locais das conquistas do time permeando o ambiente, além da documentação visual rica.

E para finalizar, chega do mito do argentino arrogante e mal educado. Só tive contatos positivos com o povo ali e, tirando 2 taxistas cuzões e 1 ou 2 argentinos reclamando dos comportamento de brasileiros (com razão), não vi nada de mais, tampouco cheguei perto de ser maltratado.

Veja você, a maior arrogância que vi lá foi de um casal de brasileiros. Estavam os dois na minha frente na fila do Fredo, quando a atendente entrega o copo com o sorvete (como sempre, aquela porção farta de sorvete). O casal começa a reclamar, porque o tamanho do sorvete quando eles compraram ontem era maior. A moça educadamente explica que aquele é o tamanho correto, o gerente confirma (não é que nem aqui, que qualquer malandro leva gerente de fast food na conversa), e o casal sai falando que “é por isso que argentino tem essa fama de arrogante”, que “é por isso que a Argentina tá sempre na merda” e, a mais irônica, que “o Brasil dá de 10×0 em matéria de civilidade e calor humano na Argentina”. Pergunta: por que não ficou no Brasil então? Por que não foi desfrutar da “civilidade” do povo brasileiro no carnaval de Salvador? Ou no do RJ?

Enfim, uma viagem bacana. Se alguém pensa em ir para lá, reserve pelo menos uma semana, para ver tudo. Eu vou ter que voltar, e voltarei. Trarei fotos semana que vem, assim que selecionar as melhores.

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5 thoughts on “Buenos Aires

  1. Rô, que legal o que vc escreveu sobre BsAs… acho que irei lá na semana santa, se o chefe deixar, junto com mais dois amigos da facul – se tudo correr bem e eu conseguir folga, vai ser bem divertido!
    Bacana o seu blog, andei dando uma olhada nos outros textos tb.

    Küssen, Lu

  2. Acho difícil algum país conseguir ser pior que o Brasil no quesito civilidade. No mínimo empata. E o pior é que nem precisa sair do Brasil não, depois de uma viagem a Florianópolis que um casal de amigos meu fez no carnaval, eles só pensam em sair daqui. Eu não lá, mas nem preciso pra querer sair daqui também.

  3. Cara,

    Muito bacana esse seu review de Buenos Aires. Tenho vontade de ir até lá, mas no momento, tenho que usar o $ com outras prioridades.

    No ano passado, fui para Punta Del Este, também no carnaval. Foi bom para fugir um pouco dessa loucura que é aqui!

    Se você ainda não foi até lá, pode acrescentar mais um destino na sua agenda.

    Eu recomendo!

    Abração,

    Doug!

  4. Estive pela primeira vez em BsAs na semana que passou.Também tive a boa impressão dos argentinos. Povo educado em todos os níveis. Três dias é pouco para conhecer todas as maravilhas que tem lá. No Puerto Madero norte se come muito bem e se paga caro.Na parte sul, come-se a mesma coisa e paga-se muito menos. Também preciso voltar lá.

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