The Great Gig In The Sky

– Onde estamos?
– Não sei..você não falou que sabia onde estava, e que não era para dar palpite?
– É, mas a estrada sumiu, né? E a gente estava de carro, não a pé.
– Agora que você falou…onde estamos, amor?
– Mas foi justamente isso que te perguntei, mulher!
– Não precisa gritar…mas que lugar esquisito…essa neblina toda, é do que?

Aparece um rapaz todo de branco na frente do casal:

– Bom dia.
– Bom dia…eu sou Edvaldo, essa é minha esposa Helena. O sr. sabe dizer onde estamos? A gente estava na estrada, aí de repente viemos parar aqui, sem carro nem estrada.
– Bom, antes de mais nada, não me chame de sr.; sou Mateus. Senhor é Deus, e ele está aqui do lado, revisando uns documentos.
– Lá em cima, você quer dizer – Helena fez o aparte olhando para cima e tentando achar as nuvens.
– Não, aqui do lado mesmo. Sinto muito ter que informar vocês, mas vocês morreram.
– Só tem um cara na estrada e ele está louco – Edvaldo vira de costas para o anjo e fala com Helena – vamos andando aqui na estrada e ver se achamos mais alguém.
– Amigo, vocês até vão achar alguém, mas isso não é a estrada, é o céu.
– Putz…então a gente passou reto na curva da estrada mesmo…não era sonho.
– Eu estou morta? Mas porque estou aceitando tão bem a idéia? Eu deveria ficar fula da vida!
– Moça – o Anjo falou – a gente só não aceita a morte quando está vivo.

Edvaldo, ainda amortecido por saber que está morto, pergunta:

– E você é um anjo?
– Pfff, quem me dera. 20 anos aqui no céu e ainda estou na fila para uma promoção. Se eu fosse anjo, estaria fazendo papel de agente da alfândega aqui?
– E o que você precisa fazer para virar anjo?
– Aparentemente, tenho que puxar o saco de alguém. Toda hora que falo de promoção desconversam, falam que não tem vaga para efetivação, e vão me empurrando para tarefinhas. Ser anjo é a melhor coisa do mundo: transporte fácil, viagens para a Terra sem pagar nada, cadeira especial para assistir o Apocalipse…eles têm tudo.
– Não fique assim – Helena, sempre cuidadosa com o sentimento dos outros, põe a mão no ombro do anjo.
– Que seja. Vamos, que eu quero almoçar.

Edvaldo e Helena seguem Mateus até um pavilhão branco.

– Pronto, estão entregues. Aproveitem sua eternidade. Fiquem de olho no quadro de recados para saber se vocês estão escalados para a reencarnação. Caso desejem fazer alguma coisa, procurem o Thiago no departamento de recolocação de desencarnados que ele lhes acha uma função. Coisa para fazer é o que não falta aqui…até mais.

Mateus vai embora, deixando Helena e Edvaldo:

– Eu sempre achei que o céu seria mais…sei lá, formal.
– É..não precisava ser que nem em filme, mas um pouco de atenção não faria nada mal. Vamos para onde?
– Você eu não sei, eu vou procurar o que fazer.
– Como assim? Nós somos marido e mulher, que papo é esse de cada um para seu lado?
– Edvaldo, na igreja eu prometi “até que a morte nos separe”. Não depois. Mais a mais, já tá na hora de mudar minha vida um pouco.
– Que vida, mulher? Você está morta!
– E solteira. Aqui no céu não tem essa de casado, namorado, noivo, juntado. Ninguém pertence a ninguém…
– Quer dizer que o Céu para você é uma grande suruba?!?!?!

Chegam dois anjos, brilhando tanto que desorientam helena e Edvaldo. Os dois se aproximam do homem, e o primeiro diz:

– O sr. vai ter que vir conosco.
– O que eu fiz? Para onde eu vou?
– O sr. cometeu uma falta grave…mencionar sexo grupal no céu é terminantemente proibido.
– E o que vão fazer comigo?
– O sr. vai passar 100 anos no inferno, para pensar no que fez. Vamos.
– Mas eu nem sabia que era crime!!!

Os anjos levam Edvaldo, que protesta, deixando Helena sozinha no pavilhão. Mateus volta correndo com um caderno na mão:

– Mil desculpas! Esqueci de mencionar para vocês as regras aqui! Droga de memória…esse caderno aqui vai dizer tudo que vocês podem ou não fazer aqui, e as penas.
– Tarde demais, Mateus – Helena aponta para os anjos levando o marido embora.
– Eles se acham tão especiais…”oooh, somos a polícia dos bons costumes” “daqui a alguns séculos, vamos estar lutando contra o inferno no apocalipse, e você?” “olha como a minha espada brilha, flamejante e rígida”. Eles estão é compensando por não terem sexo.
– Pois é. Bom, eu vou indo, vou explorar um pouco.
– Então, a srta. está sozinha agora?
– É. Mas já ia largar dele mesmo…
– Tem programa para hoje à noite? Vou encontrar com alguns amigos no meu ap, coisa bem íntima…não precisa fazer nada que você não queira, neném.

FIM

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