Silent Lucidity, Loud Insanity

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Ch-ch-ch-changes…

com um comentário

Ch-ch-Changes
Just gonna have to be a different man
Time may change me
But I can’t trace time

(David Bowie, Hunky Dory – Changes)

Séculos atrás, todos os desprezados pela sociedade eram trancados em locais fechados, com pouca iluminação, com alimentação escassa. Ali, os mais variados instrumentos de metal, verdadeiros colossos onde o corpo humano era a peça que fazia a máquina funcionar, eram usados para torturtar essas pobres almas que porventura haviam desviado do curso da sociedade.

Eram os instrumentos de tortura, que tinham como objetivo levar o corpo humano ao limite do insuportável, provocando picos de dor, suores em profusão e chagas na alma.

Evoluímos muito como sociedade de lá para cá.

Hoje, pagamos por tudo isso e chamamos de “academia”.

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Escrito por Rodrigo Leme

Sexta-Feira, 4 Dezembro , 2009 em 10:40 pm

Vou levar você para a cama.

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(Eu evito textos mais pessoais e conversas ao pé do ouvido neste blog – mesmo tendo uma categoria chamada “pensando na vida” – mas muita gente próxima e querida está passando por muita coisa difícil, e até mesmo eu estou com alguns dilemas no presente momento, então vale escrever para todos eles, eu e de repente você que está nessa coisa esquisita que os cientistas chamam de “vida”.

Se tiver erros no texto, só digo que agora são 2 da manhã; dêem uma colher de chá, e amanhã eu reviso.)

A cama é o lugar mais difícil para quem sofre com dificuldades. É para ela que a gente leva os problemas, é ela que fica nos segurando de manhã quando não queremos sair dela e encarar o mundo. É nela que estão as nossas lágrimas e o suor da noite mal dormida.

O silêncio e a escuridão tornam a cama ainda mais cruel: ela não te ouve, por mais que você fale, e ela não responda, por mais que você peça. Por que tanta gente (acho que todo mundo) reza na cama antes de dormir e não no sofá às 16:00? Porque nessa hora a gente busca alguém que ouça a gente.

Sábado passado eu estava na região da Av. Angélica à noite e, enquanto estava na calçada, um senhor com um saco nas costas chegou perto com um punhado de moedas e perguntou quanto ele tinha na mão, pois não sabia contar. Contei R$5,20, falei com ele do valor de cada moeda, para ele identificar pelo tamanho e desenho e não pelo escrito. Eu tinha R$2,50 em moedas no bolso, adicionei e mostrei para ele que ele agora tinha R$7,70.

Ele não me agradeceu pelo dinheiro, agradeceu por eu ter ensinado ele a contar as moedas. Sério.

Não, eu não sou maravilhoso. Isso não é propaganda minha. O ponto aqui é que felicidade é bem menos do que a gente acha que é, e que a gente a tem em mais abundância do que julgamos ter. A dificuldade torna as pequenas vitórias sensacionais, como aprender a contar, e abre caminho para as grandes.

Outra coisa que se aprende desse caso que aconteceu é que a parte mais difícil dos nossos problemas é que a gente não sabe compartilhá-los com os outros. A gente se fecha, sofre quieto, chora no diabo da cama (olha ela de novo), rabisca cadernos, sofre como se ninguém merecesse nossos problemas além de nós.

Bobagem. O mundo tá cheio de gente que quer te ouvir, quer te ajudar, independente de ser seu amigo, seu familiar, sua namorada, ou aquele colega de trabalho que você nunca pensou como amigo. O que falta para a gente é verbalizar, é pedir para ensinar a contar. Eu sou feliz demais por ser cercado de pessoas sensacionais, que vão fazer desde atender ligação minha à 1 da manhã até parar o trabalho no escritório para me ouvir.

E não é egoísmo: eu faço o mesmo por essas pessoas. Eu me arrebento por essas pessoas se precisar.

O mundo está tão louco que cada vez a gente conhece menos pessoas para quem conseguimos dizer de coração “você é especial, você me faz sentir bem”. E é gente assim que eu não quero que saia nunca do meu lado. E as dificuldades que se amontoam só fazem aumentar o esforço para não perder essas pessoas.

Quantas vezes você já disse a frase acima para as pessoas que você gosta? Não deixa subentendido não: fala. Bota para fora. Diz para aquela pessoa o quanto ela te fez / faz feliz. Mostra isso.

Eu passei por muita, muita coisa no final do ano passado, e descobri que não vale nada você viver escondendo o que sente. Você tem problemas ou você está feliz? Fala. Deixa todo mundo que gosta de você saber. Seja para compartilhar a felicidade, seja para abafar a tristeza.

Use a cama só para dormir. E levante dela sabendo que nenhum problema vai te derrubar enquanto você souber pedir ajuda.

Para contar ou para viver.

Escrito por Rodrigo Leme

Segunda-feira, 26 Outubro , 2009 em 12:26 am

O poder do acaso

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(Vou dedicar esse texto ao Doug, que foi o primeiro a lê-lo ontem, e um cara para quem eu recentemente tenho dito muitas das coisas aqui. Acredito que ele tem praticado algumas delas. Vai lá garoto! :P )

Para começo de conversa, não sei no que você acredita. Jesus, Buda, a Grande Abóbora, pouco importa. Mas o que eu acredito é que existe algum magnetismo no mundo que cria situações inesperadas e bem ou mal vindas que não possuem lógica nenhuma. Esse é o acaso.

Muitos de nós se recusam a acreditar que para tudo existe um motivo. É fato que o cérebro humano é programado para simplificar qualquer coincidência que aconteça nas nossas vidas. Ou seja, somos nós que procuramos as ligações, e não elas que necessariamente acontecem. Essa é uma das grandes bases do pensamento que nega a religião, por exemplo: Deus seria a sua forma de entender de maneira fácil porque o mundo é mundo.

Mas, ainda assim, eu acredito que existe um componente de motivo para as coisas acontecerem: certas cadeias de eventos, por mais que nós mesmos criemos as ligações, ainda são obras-primas de relações humanas.

Pensa bem: você pode tomar uma decisão e dela sair um resultado direto. Ok. Agora, imagina que esta decisão impulsiona vários eventos que no final geram o resultado que você queria. E isso é xadrez, só que tudo está contra você: você não conhece as peças, não consegue ver o tabuleiro inteiro e ainda joga contra um adversário que não possui lógica nenhumna nos movimentos, mas controla todas as peças e vê o tabuleiro inteiro. Esse é o acaso.

Jogar contra o acaso exige um comprometimento com sempre fazer a coisa certa. Exige você ser seguro de você mesmo. Exige você ser você mesmo. Ou seja: envolve você jogar com as peças que estão à sua mão e no pedaço de tabuleiro que você consegue enxergar. A nossa desvantagem em relação ao acaso é apenas de visão, mas é a estratégia que ganha. O comprometimento triunfa. Sempre.

Eu aprendi nos últimos tempos a viver a vida de peito aberto, encarar tudo com vontade e deixar o acaso se quebrar com suas jogadas confusas. Eu cansei de esconder, cansei de não usar o coração na ponta da chuteira. E quero acreditar que isso foi para o melhor, visto que o acaso vem me surpreendendo positivamente nos últimos tempos.

De nada vale viver se você não vive pra valer. Frase extremamente babaca, certamente eu estou copiando ela de alguém, mas que carrega toneladas de verdade.

Escrito por Rodrigo Leme

Domingo, 18 Outubro , 2009 em 12:35 am

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Ele tirou uma Polaroid por dia, até o dia em que ele morreu. (via @mental_floss)

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Provavelmente uma das histórias mais tocantes que li nos últimos tempos. Não foi só o fato de tirar uma foto por dia, mas sim de ser tão fiel ao que fez, até o último respiro. Não consigo imaginar alguém que não se emocione com isso.

Quando você se for e olhar para trás, que fotos você vai deixar?

Via web de Rodrigo Leme – Ismaubáites

Escrito por Rodrigo Leme

Quarta-feira, 14 Outubro , 2009 em 1:05 am

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7 Maneiras do Tempo passar a perna na gente

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those_cruel_hands_of_time

"time, so cruel", por Kathy Boake W.

O recurso mais valioso que a gente tem é o tempo. Nossa atenção compete cada vez mais com um monte de coisas, das mais diversas naturezas e formas, e a gente tem a difícil missão de distribuí-lo e torcer para que sejam as escolhas certas.

Mas o bicho é traiçoeiro. Seguem 7 características do tempo que podem derrubar até mesmo os melhores planos.

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Escrito por Rodrigo Leme

Sexta-Feira, 18 Setembro , 2009 em 4:16 pm

Conteúdo é tudo (e não somente seu blog)

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Estava lendo meus feeds, e achei uma pérola do (excelente) blog da 37 Signals. No texto mais recente, Matt Linderman faz uma bela analogia sobre conteúdo x visual de blogs e sites com um guitarrista. Mas a questão é mais ampla: será que você está valorizando seu visual de mais e seu conteúdo de menos? E não estou falando do seu blog…

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Escrito por Rodrigo Leme

Sexta-Feira, 15 Agosto , 2008 em 12:56 pm